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Dia 17 de março de 2020, dois barrosenses, suspeitos de terem contraído o coronavírus, após viagens para São Paulo e Rio de Janeiro, passam pelo Teste de PCR – teste do cotonete. Apesar dos primeiros resultados negativos para Covid-19 na cidade, muitos outros milhares de casos, e, lamentavelmente, dezenas de mortes seriam registradas no município posteriormente. Mais exatamente 4 mil e 987 pessoas que, até o momento, contraíram a doença, algo em torno de 25% da população barrosense, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 20 mil habitantes. E nestes números mora a dor de 73, menos de 1% da população, óbitos por decorrência da Covid na cidade.

E o que pode parecer pequeno, fez um imenso estrago em muitos corações. São 73 famílias que jamais verão seus entes queridos novamente. “Parece mentira, mas ouvir que meu tio já ia mor- rer mesmo e que a Covid só antecipou a morte dele”, diz a sobrinha de uma vítima que tinha mais de 80 anos. “Não coloca meu nome não, mas isso aconteceu e nunca mais vou olhar na cara desta pessoa que banalizou a morte do meu tio e de outras pessoas só porque estavam com mais idade”, diz a sobrinha que lamenta o comportamento de muitos durante a pandemia. “Lembro que falaram que iríamos sair melhor de tudo isso, que nada. As pessoas que não perderam familiares esquecem rápido de tudo isso”, ressalta.

Cerca de 70% das vítimas fatais em Barroso eram idosos, ou seja, tinham mais de 60 anos de idade. E os primeiros óbitos na cidade foram confirmados no feriado de 7 de setembro de 2020. Duas pessoas perderam a vida naquele ano. Outras 58 pessoas morreram no ano de 2021 e 13, até o momento, neste ano de 2022.

E entre famílias que viverão para sempre a dor da perda pela Covid-19 está a de Anderson de Souza Fonseca, carinhosamente conhecido como Nem. Em julho de 2021, diante de um dos momentos mais intensos da pandemia, Anderson perdeu os pais, primeiro a mãe, Diva de Souza Fonseca, no dia 12 de julho, e dois dias depois, no dia 14 de julho, perdeu o pai, Adilson Fonseca. “O Conceito que eu tenho sobre as pandemias é que elas vêm e vão, mas vão levando um pedaço sentimental de milhões e milhões de pessoas. Assim, não podemos colocar a questão financeira acima dos sentimentos, estou passando por maus bocados desde a falta dos meus pais, provocadas pela Covid-19”, declara Nem que perdeu o pai com 80 anos e a mãe com 76, a poucos dias de completar seus 77 anos de idade.

DADOS ATUAIS

Até o fechamento desta matéria – 5 de maio às 12h – apenas duas pessoas estavam com o vírus ativo no organismo na cidade. São 4 mil e 985 curados da doença no município. E entre as vitórias, pessoas que conseguiram vencer o coronavírus, está a senhora Maria Soledade da Silva, de 79 anos, moradora do Bairro Jardim Europa.

Na ocasião, ela chegou a ficar 10 dias internada no Hospital Macedo Couto. Mãe de oito filhos, 17 netos e sete bisnetos, Soledade recebeu alta sob aplausos de familiares, amigos e profissionais da saúde no Hospital Macedo Couto na manhã daquela segunda-feira, 25 de maio de 2020. Maria Soledade fez o teste rápido no dia 15 de maio e foi diagnosticada com coronavírus. Cinco dias depois, através de uma contraprova, ela ficou sabendo que de fato estava infectada. Foram 12 dias no Hospital e uma reação boa ao tratamento – o que resultou na alta e vitória contra a doença. Próxima de completar em 2023, 80 anos, Maria tornou-se um exemplo entre os barrosense na luta contra a Covid. A simples barrosense, moradora do Jardim Europa, que assim como a família foi vítima de uma avalanche de ataques de preconceituosos na internet, aguarda para comemorar o aniversário ao lado da família e amigos.

“Agradeço a todos pelo apoio e carinho, principalmente à equipe do Hospital de Barroso que me acompanhou durante o meu tratamento e minha recuperação”, agradece a barrosense que está bem de saúde e não apresentou nenhuma sequela da doença.

MONUMENTO

Dentre as reformas previstas nas praças de Barroso, está a da conhecida Praça do Cruzeiro, no Santa Maria. A Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente, mas estuda a possibilidade da construção, na Praça do Cruzeiro, de um Monumento em homenagem às vítimas da Covid na cidade.

Segundo informações extraoficiais, não confirmadas pela Prefeitura, o poder executivo trabalha a ideia de, além de reformar a Praça, fazer placas com os nomes das vítimas no local. Uma espécie de monumento às vítimas.

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