Não importa de que lado fica o coração, o importante é ele bater! por Bruno Ferreira

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Não se trata de esquerda, não se trata de direita, quando o assunto é a vida, ou os valores dela, nem mesmo o centro é a razão. Não existe lado ou, trazendo para a nossa ignorância, cor ou bandeira.

O nazismo, como pior exemplo, não se refere ao partido, não se refere à esquerda, à direita ou a qualquer outro lado. O nazismo foi e sempre será algo imperdoável que ceifou milhões de vidas, seres humanos, que mesmo sem saberem seus lados morreram, vítimas ou cúmplices de um genocídio em que não cabe mais procurar uma posição que se torne razão.

Foi e sempre será uma atrocidade. Portanto, entendam que, antes mesmo da direção, das intenções, dos posicionamentos, está a vida, o maior bem do qual desfrutamos, com ódio ou com amor, com ou sem wi-fi. Escolher Messias, porque do outro lado, mais precisamente do lado esquerdo, está uma estrela suja é, apesar de muito questionável, aceitável. Mas defender a atrocidade, aquela explicita do período negro e tenebroso da ditadura militar, simplesmente porque Messias a reverencia, é algo imperdoável que o tempo, como outrora e hoje mostram as páginas deste jornal em matérias relativas ao assunto, uma hora vai cobrar.

E não nos referimos a números, ideologias e defesas de qualquer lado ou posição, classe ou saldo bancário, o assunto é a vida ou, como dissemos, os valores dela, mesmos que quase que totalmente esquecidos diante dos smarts e da ignorância que por sinal caminham juntos em passos tétricos. Tapar os olhos e os ouvidos sobre os relatos de tortura, repressão e extermínio porque Messias deve ser mais uma vez o salvador é no mínimo ignorância. Ignorar a história, aquela suja de sangue nos porões que até hoje ecoam medo, não se discute. Não se discute, aliás, até se discute, porque a democracia nos permite; é verdade.

Aliás, comemorar o Golpe dentro da ditadura é permitido, mas já pensou em pedir a democracia dentro da ditadura? Impossível! Nem nós, principalmente nós, discípulos de Herzog, nem vocês, sejam de esquerda ou de direita, estaríamos aqui, lendo ou escrevendo sobre um posicionamento que não tem lado, que é de centro, mas não ignora a história. Não nas nossas páginas! Aqui, como lhes permite o regime, vocês terão a escolha de aceitar ou rejeitar. Por fim, ainda podemos expressar nossas opiniões e continuamos trazendo relatos como os de barrosenses que viveram dias difíceis, mesmo estando no interior.

Neste mês de abril, são 13 anos de jornal, em prol da cidade, do povo. Um tempo em que acertamos e erramos, mas tivemos a escolha de opinar aqui nos editorias. Viva a democracia!

Bruno Ferreira

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