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Curiosamente, o texto da coluna do mês passado está rendendo o texto deste mês. Ao falar sobre o porquê trançar o cabelo não é só moda, fiquei encantada com todo o conteúdo descoberto em torno do assunto e como o trançado manual é feito, portanto fui trançar meu cabelo. Confira mais sobre o texto anterior acessando Exaltação às raízes! por Ana Roberta Melo.

Como esperado, foi ótimo todo o processo e o resultado, o que eu não esperava eram os comentários em torno da minha “nova aparência”. A quem se propôs manifestar – pois sempre tem aqueles olhares que valem mais que palavras, tanto de forma positiva quanto negativa – escutei elogios ao capricho do trabalho da trancista, comentários curiosos e cômicos como “você não está sentindo frio no pescoço?”, “dói muito para fazer?”, “fica sem lavar o cabelo?”…, mas, infelizmente, também houve dizeres como “Nossa, mas você é tão delicada e bonita, não combina com você fazer isso no cabelo!”, “Por que você fez isso, seu cabelo é tão bom?!”. Aqui há os falsos elogios, aqueles em que a pessoa diz e vem mascarado com preconceito, ou pior, quando a ofensa vem disfarçada de elogio.

Por trás de comentários assim, estão os padrões que um grupo de pessoas criaram ao longo da existência. As pessoas que seguem esses padrões discriminam as que não seguem por elas serem diferentes e, assim, surge o preconceito. Às vezes é uma pessoa amiga que lhe vê com bons olhos, e seu comentário teve a melhor das intenções. Mas não é assim que as coisas devem funcionar. Dizeres como estes últimos são preconceituosos, entenda. Remete que trançar o cabelo é para pessoas de face grosseira, feia e de “cabelo ruim”. O preconceito também pode ser o ato de julgar pessoas antes de conhecê-las, ou seja, um pré-conceito. Recentemente, uma amiga que é mãe a poucos meses me relatou que ao entrar em um estabelecimento de Barroso, a comerciante lhe disse que não achava que ela seria uma mãe tão boa quanto ela é.

São cenários como este que ocorrem costumeiramente e estão sendo cada vez mais propagados como aceitáveis. Uma outra atitude que anda em conjunto com o falso elogio e a ofensa disfarçada de elogio, é fazer piada sobre o outro. Exemplo foi a cerimônia do Oscar que o comediante Chris Rock faz uma piada sobre o fato da esposa de Will Smith ser careca (ela se encontrava na plateia e é portadora de uma doença que caem os cabelos), e foi agredido por Will Smith. Chris Rock alega não saber que era devido uma doença que Jada Smith não possui mais cabelos. Fica aí a reflexão… se tem a necessidade de produzir algo engraçado, na dúvida, não faça piada sobre o outro, pois nunca se sabe a vida do próximo em exato; fazer piada sobre você é uma alternativa.

Sou rubro-negro desde sempre, mas nunca soube explicar como e quando começou minha paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo. A parte da família que me criou é toda torcedora do Atlético-MG e eu como a mais nova em idade na minha casa (hoje não tão mais nova, risos), tendo este “legado familiar” para seguir, escolhi o Flamengo. Não sei como/quando começou, mas sei por que eu sou flamenguista: a cantoria, o choro, a recepção ao time no aeroporto/hotel/treino, ir ao Maracanã e chegar mais cedo em dia de jogo só para ver a principal torcida organizada do Flamengo se aconchegar para montar o espetáculo que eles proporcionam… com dinheiro você monta um time e pode vir a ganhar títulos, mas pessoas que amam o clube, uma devoção incondicional, isso dinheiro não compra. E é exatamente aí que eu entro com o meu sentimento e escolha de ser Flamengo.

Porém novamente tenho como exemplificar com comentários nada gentis o que as pessoas entendem sobre isso: “Uma pessoa tão meiga e inteligente como você não tem nada a ver torcer para esse time. Você já viu que a torcida é um bando de feios e favelados?”, “Você é de Minas, tem que torcer para time de MG e não do Rio”, “Você é mulher, não pode gostar de futebol”. Aproveitando o link de Flamengo e preconceito, vale o resgate da célebre frase da camisa de Adriano Imperador quando jogava no Flamengo: “Que Deus perdoe essas pessoas ruins”, ou até mesmo parafraseá-lo: “Que Deus perdoe essas pessoas preconceituosas”.

Todos os comentários apresentados ao longo do texto, por si só mostram como o preconceito é uma atitude enraizada no ser humano e também como o preconceito é uma opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos, mas unicamente em um sentimento hostil motivado por hábitos de julgamento ou generalizações apressadas. Nada do que é proveniente do preconceito ajuda a melhorar quando é dito para alguém, não importa como a pessoa encare.

 

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