Um Brasil sem cor

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Não vejo o verde, nem mesmo o amarelo. Não vejo bandeiras, nem tinta pelas ruas e calçadas. Aliás, não tem cor, não tem graça, não tem, até o momento, ninguém, de qualquer raça, de camisa ali na Praça.

Não escuto fogos, nem gritos, muito menos vuvuzelas e atritos. Silêncio no beco, que um dia foi decorado, silêncio na alma que foi devorada. Me perco entre ruas vazias e passeios desnivelados. Já não tenho tanto fé neste esporte com os pés.

A realidade, nua e crua, é que o meu Brasil me tirou a vontade de ver o Brasil, de varar noites, de reunir a família ou amigos, de pendurar nos postes e erguer bandeiras e bandeirinhas.

O meu Brasil me tirou o sono, me acordou no meio da noite e não me deixou dormir pensando no valor do combustível, do gás e da dignidade dos engravatados que ainda acumulam riquezas dizendo defender essas cores. Que defesa que nada. Um meio campo perdido, sem criação e pureza, com excesso de maldade. Um ataque frágil, sem escrúpulos, que não finaliza, não marca, mas remarca e reajusta toda semana, sem dó e sem piedade, direto no bolso, na mesa, ainda vazia. Não temos treinador.

Perdemos o comando que trocado resultou em trocas e artimanhas fraudulentas que nos levaram ao colapso. Um selecionado de bandidos postulantes a uma urna eletrônica que mais uma vez se aproxima. Não, não tem ninguém no banco, não adianta olhar, aquecer e entrar. Não consigo fazer a substituição que preciso e me declino em lágrimas e falta de esperança.

Perdemos de novo, e não de sete, mas de milhões. Não, não é de julho que lamento. Falo de um outubro negro que bate à porta.

por Bruno Ferreira

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