Compartilhe:

Com um atraso considerável, a administração da ex-prefeita de Barroso, Eika Oka de Melo (PP), “desenrolou” a grama, deu um “tapa” nos vestiários e reinaugurou o charmoso e místico estádio São José, no bairro de mesmo nome. Mas de pouco, ou pouco tempo, adiantou. Anos depois, o estádio que ficou fechado e jogado às traças por anos, voltou à mesma situação, ou seja, de deplorável abandono.

A reportagem do Barroso EM DIA não precisou de muito tempo para, em uma simples visita, poder constatar o que está visível aos olhos de quem passa e facilmente adentra o campo, já que não existe mais parte dos muros que cercam o estádio. São vestiários abandonados, alambrados e muros destruídos, arquibancadas e dependências que acabam servindo de palco para relações sexuais e espaço para uso de drogas. Enfim, uma lástima para qualquer amante do futebol que resolva visitar, mesmo sem autorização, o São José, palco de jogos memoráveis, que por muitos anos atraía torcedores de Barroso e região.

“É uma vergonha! Abandono total. Nosso campo está acabado”, diz um morador do bairro que prefere não se identificar, temendo represálias. “Entendemos que o momento não é bom, que existem outras coisas para resolverem, mas não podemos nos calar diante do descaso, mais uma vez, com o campo”, relata a fonte que frequentava o estádio, como também era chamado, nos tempos de Havaí, Montanhês e grandes clássicos.

“Acabava o jogo aquela multidão descia a rua principal cantando e comemorando. O estádio ficava sempre cheio e os domingos eram de alegria no bairro que, por causa destes problemas, está um pouco triste”, relembra o ex-jogador que cobra do prefeito uma posição. “O prefeito sempre foi ligado ao esporte. Ele mesmo jogou aqui por muitos anos.

Não é possível que não possa fazer nada por nós”, desaba o ex-jogador que relembra que justamente os dois prefeitos que tinham mais ligação com o esporte foram justamente os que menos fizeram para tal, se referindo também ao saudoso Arnô Napoleão, que foi prefeito de Barroso entre os anos de 2005 e 2008, e que de fato, muito pouco ou quase nada fez para o campo do São José.

A reportagem também ouviu o atual presidente da Associação do Bairro São José, Claudinei, conhecido como Dedei. “Eu sei que limparam lá do lado de fora, mas a situação é crítica”, diz o presidente que informou que outros membros, cidadãos da comunidade, desistiram de ajudar perante o descaso.

O Barroso EM DIA também fez contato com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura que se manifestou dizendo que haverá melhorias no estádio em breve.
”Só não podemos precisar datas, uma vez que o município não dispõe de recursos financeiros para tais benfeitorias, no momento”, diz parte do e-mail enviado à redação. A Prefeitura, através da Assessoria, também declarou que está buscando apoio de parlamentares por emendas e que recentemente enviaram ofício à LafargeHolcim, solicitando apoio da empresa nas reformas do estádio, mas, até o momento não receberam nenhuma resposta. “Também estamos buscando alternativas para conseguir efetuar alguma melhoria com recursos próprios”, traz a nota que também fala sobre o vandalismo e drogas no local.

“Acreditamos que não é nenhuma novidade a ocorrência de vandalismo nas instalações do estádio e em outras propriedades públicas, como o que aconteceu com os muros. Infelizmente, existem pessoas que não colaboram para a preservação do patrimônio, que é de toda a população. Preferem a destruição à conservação”, ressalta. Fato é que o povo do bairro, apaixonado por futebol, e saudosista quando o assunto é o estádio, quer uma resposta das autoridades e esperam ver o campo funcionando em plenas condições novamente. “Não queremos mais desculpas, queremos, como foi prometido em campanha, nosso estádio funcionando, como acontece em outros campos aqui da cidade”, diz o entrevistado.

Se por um lado os moradores do São José amargam as tristes cenas cotidianas de abandono, por outro, o estádio João Vigia, no bairro Cohab, que há anos é gerido pela Associação do bairro, através do desportista Gilson Boneco e companhia, está um brinco, como dizem na linguagem dos boleiros. Além da escolinha do Bandeirantes, que funciona no local e atrai centenas de crianças duas ou três vezes por semana, todos os campeonatos da cidade acontecem no estádio que tem, como sempre teve, um gramado impecável, e um cuidado peculiar dos profissionais voluntários nas suas dependências.

Talvez não à altura do João Vigia, mas com um cuidado visivelmente maior do que o do São José, aparece o Nercy Lucas, no bairro Jardim Europa. Os vestiários e as dependências ainda precisam de muito mais cuidado, mas o gramado tem sido bem tratado pelo poder público e pelo menos a poda tem sido frequente no Nercy, um estádio com o nome do ex-jogador dos tempos de Montanhês e Barroso que se estivesse aqui entre os mortais também estaria cobrando das autoridades um olhar mais sério e contundente para o esporte, em especial o futebol.

Ou seja, dos três campos públicos hoje existentes na cidade, apenas o São José passa por um descaso abissal. “Estes outros dois campos, Nercy e João Vigia, têm figuras públicas que jogam neles ou realizam competições até hoje. Será que por isso recebem um o lhar diferente?”, questiona o morador do São José que vê privilégios e atenção das autoridades para os dois campos porque, segundo ele, pessoas de renome brincam por lá aos finais de semana.

1 comentário

  1. É triste isso, participei de muitos jogos na época das altas temporadas (Montanhês, Havai, Bandeirantes, Barcelona, etc).
    Mas, uma coisa que deveria ser cobrado é do locutor da Rádio Liberdade, pois o mesmo no período da Adm passada, ficou como um vírus, com ataques diariamente, usando o microfone da rádio para abrir este espaço ai, que podemos ver nas fotos, para abrigar a Associação do Bairro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *