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Quarenta e quatro anos depois que um representante mineiro – Magalhães Pinto, durante a ditadura militar – presidiu o Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM) é eleito primeiro senador por Minas Gerais do Brasil redemocratizado (6ª República). A candidatura à presidência do Senado Federal e Congresso Nacional se apresentou nítida e pavimentada, assim que o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria em 6 de dezembro de 2020, sacramentando o entendimento constitucional que veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente.

Com capacidade de diálogo da esquerda à extrema direita, trânsito entre empresários, – alguns dos quais foram clientes de escândalos como o do Mensalão – Rodrigo Pacheco pode ser descrito como democrata liberal, defensor do estado laico, diálogo fácil com empresários, hábil articulador, crítico da judicialização da política, da espetacularização das investigações comandadas pelos órgãos de controle, tendo deixado a sua marca como relator no Senado, da lei contra o abuso de autoridade (Lei nº 13.869/19), em vigor desde 3 de janeiro de 2020.

Entre as posições políticas de maior destaque que assumiu em seu mandato parlamentar na Câmara dos Deputados, está a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em 2017. Na CCJ, foi responsável por analisar duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer no âmbito da Operação Lava Jato, após a delação de executivos da JBS incriminar o político em atos de corrupção durante o cargo. Ao mesmo tempo em que nomeou dois mineiros, – o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB) e o falecido Bonifácio de Andrada (PSDB) – ambos aliados de Temer, para a relatoria, Pacheco se absteve de votar em plenário.

Mineiros que presidiram o Senado Federal

Primeira República (1889-1930)

Afonso Pena – 1902 – 1906
Wenceslau Braz – 1910 – 1914
Delfim Moreira – 1918 – 1920 (cargo vago por morte)
Bueno da Silva – 1920 – 1922 Fernando de Mello Vianna – 1926 – 1930 (presidente até o Congresso ser dissolvido)

Segunda República (1930-1937)

Waldomiro Magalhães – 1936 (entre março e maio)

Ditadura Militar (1964-1985)

Magalhães Pinto (Arena) – 1975-1976

*Desde a redemocratização, apenas Arlindo Porto (PTB) representou MG na disputa, em 2001.

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