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O ano era 1904. O Rio de Janeiro, a Capital do Brasil. O Presidente era Rodrigues Alves. Oswaldo Cruz, um dos maiores cientista da história do Brasil, convenceu o Presidente a enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para tornar obrigatória a vacinação no Brasil contra a varíola. Parte da população carioca, inclusive militares, manifestaram contra a obrigatoriedade da vacina e entraram em confronto com as forças do governo. O motivo: política. Após oito dias de conflitos, o Presidente acabou sendo vencido e voltou atrás na obrigatoriedade da vacina, fazendo com que a varíola, naquela época, matasse milhares de pessoas que não foram imunizadas.

Nos dois últimos anos, vimos discussões sem fim sobre tomar ou não a vacina contra a COVID. Cientistas e “especialistas das redes sociais” vociferavam a favor e contra a vacinação da COVID. Mas, o que se viu, de fato, é que a esmagadora maioria da população se imunizou contra a COVID-19, e, somente por isso, a Pandemia nos deu uma trégua, ao menos no que tange ao grande número de mortos. Não vamos, aqui, discutir a vacinação da COVID. Essa, bem ou mal, já se deu, e continua sendo aplicada às faixas devidas. O que nos entristece e preocupa muito é a falta de vacinação contra outras doenças, como sarampo, gripe, BCG e outras.

O Brasil, até o discurso antivacinas que tomou conta não só das redes sociais, mas, também, de alguns poucos no meio científico, acabou fazendo com que muitas pessoas ficassem com medo de se vacinar. Muitos pais não levaram seus filhos para se vacinarem contra a COVID. O nível de vacinação da gripe e do Sarampo neste ano de 2022 é um dos mais baixos da história (Fonte: Butatan), sendo que os números não ultrapassam 60% do público alvo, quando o Governo tem a meta de atingir 90%. Doenças erradicadas como Sarampo e Poliomielite correm risco de voltarem a infectar nossas crianças. Até o “Zé Gotinha” não tem sido mais aceito por crianças. Logo o Brasil, que até 2017, era um dos países que mais vacinava no mundo, com índices que superavam 99% (Fonte: Agência Brasil). Qual será o motivo disso?

Não temos dúvida que essa diminuição no número de vacinados, independente da vacina aplicada, é oriunda da onda antivacina da COVID-19, capitaneada, principalmente, em redes sociais de pessoas que não possuíam qualquer conhecimento sobre o tema. Não se desconhece que existem alguns médicos e até pesquisadores, uma minoria, diga-se, que são contra a vacinação. Mas a esmagadora maioria dos cientistas é a favor da vacinação, e ecoam a sua necessidade como um bem maior, que inibe a proliferação de doenças não só aos vacinados, mas, também, para aqueles que não podem se vacinar.

Vacinar-se não é só um ato de amor próprio. É um ato de empatia, de amor ao próximo. Caso uma doença não seja erradica ou volte a infectar pela falta de vacina, certamente, vai fazer vítimas pessoas inocentes.

É preciso que tenhamos consciência de que a vacinação é importantíssima em um país como o nosso, onde o Sistema de Saúde não é dos melhores, há falta de médicos e os tratamentos particulares são caríssimos. A grande máxima deve ser respeitada: “É melhor prevenir do que remediar.”

Precisamos deixar de acreditar em informações levianas (fakenews) propaladas em redes sociais e defendidas por pessoas sem qualquer conhecimento científico sobre o tema. Ao invés de acreditar na “ciência do facebook ou do whatsapp”, busquemos informações em fontes sérias, principalmente através das campanhas de conscientização promovidas pela Anvisa e Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

Confira o cartão de vacinação de seus filhos. A vida é uma só. E tenho certeza que ninguém gostaria de perder um filho e carregar o fardo de não o tê-lo vacinado. Não sou cientista nem médico, mas meu cartão de vacina está em dia. Dos meus filhos, também. Sejamos probos.

Viva a ciência. Viva a vacina. Viva a empatia.

por Gian Brandão

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