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Um fato local ganhou repercussão nacional – só a página Quebrando o Tabu do Facebook teve milhares de curtidas, sete mil compartilhados e 3 mil comentários em 24 horas. Assim está sendo chamado o Caso Anderson, a história do policial militar de 32 anos, denunciado ao passear com a filha de 4 anos pela Linha D’Oeste, agredido e preso pelos colegas apesar de ter se identificado, conforme relata, e que responderá por desacato. O detalhe é que Anderson é negro e a filha, branca.

A professora Elizabeth Netto conta que desde o dia 14 de janeiro, o casal interracial viu seu mundo desmoronar. A filha que viu toda a violência dos policiais passou a apresentar problemas psicológicos e até a fazer xixi na cama.

O caso ganhou destaque nesta semana quando um site de direitos humanos, Ponte.org, publicou a decisão que o Ministério Público acatou a denúncia contra o militar. Vídeos que circularam na internet mostram o momento da abordagem e vários moradores e vizinhos chamando Anderson César de estuprador.

O caso chegou até a Câmara Municipal e os vereadores informaram que vão levar o episódio à Comissão de Direitos Humanos.

Segundo o site Ponte.org, no dia 14 de janeiro deste ano, o policial militar Anderson César da Silva, 32 anos, estava fazendo uma trilha pelas matas de Barbacena com a filha de 4 anos e o cachorro da família quando três colegas de farda o abordaram e exigiram que ele os acompanhasse para fora da mata. O cachorro, assustado, tentou avançar neles e foi atingido por tiros de bala de borracha disparados pelos agentes.

Os policiais foram acionados por moradores do bairro de Fátima, que, ao verem Anderson, um homem negro, entrando na mata com uma criança branca, suspeitaram que ele iria “estuprá-la”.

Anderson foi agredido pelos PMs e ficou preso durante três semanas. A menina passou por exames médicos que comprovaram que ela não sofreu nenhum tipo de abuso sexual. Traumatizada, passou a ter acompanhamento psicológico.

Mesmo depois de tanta violência, Anderson acabou processado pela Justiça Militar, que aceitou a denúncia do promotor Fabiano Ferreira Furlan, feita em junho. Nela, o magistrado acusa o PM pelos crimes de desobediência, desacato a superior, ameaça, resistência mediante ameaça ou violência e lesão corporal leve.

Na versão dos policiais, Anderson teria se recusado a ser revistado, além de xingado e ameaçado os colegas.

O Código Penal Militar prevê penas de três meses a dois anos para esses delitos. Nenhum dos três policiais que o agrediram receberam punições.

Confira a publicação no Quebrando o Tabú:

 

EM SINOPSE POLICIAL DE 14 DE JANEIRO, PM CONTA OUTRA VERSÃO DOS FATOS

A sinopse do dia 14 de Janeiro enviada pela Polícia Militar à imprensa de Barbacena e região, traz outra narrativa para os fatos. Confira:

Na tarde de quinta-feira (14), a PM recebeu uma denúncia de que um homem estava levando uma criança em direção a uma mata no Bairro Fátima em atitude suspeita.

Os militares foram ao local verificar e seguiram a trilha que o suspeito entrou. A equipe localizou o homem, 31 anos, e a criança, e o mandou colocar as mãos para o alto. O homem disse que estava ali com a filha e não acatou a ordem de se posicionar em posição de busca. Ele informou que era policial militar e jogou uma carteira com os documentos no chão perto dos militares. Foi constatado pelos documentos que o homem é Soldado da PMMG, lotado em Belo Horizonte.

A equipe continuou a conversa com o suspeito que não acatou nenhuma ordem e passou a ameaçar os militares. Diante da situação, ele foi comunicado que seria preso pelo crime de ameaça e sua filha seria encaminhada para a mãe. Ele começou a agredir os militares sendo necessário o uso de algemas. No momento da prisão, o homem deu ordens de ataque a um cão que os acompanhava (cão de grande porte), tendo o animal investido agressivamente contra os militares sendo necessários disparos de arma de fogo para assegurar a integridade física dos militares.

O homem foi preso em flagrante pelos crimes de desacato a superior, ameaça, lesão corporal, resistência mediante violência e desobediência, todos do Código Penal Militar, sendo levado para o 9º BPM para demais providências. O militar está afastado de suas funções para tratamento psiquiátrico.

O cão foi socorrido por uma equipe de veterinários e está internado numa clínica em estado estável. Os militares que foram atacados pelo cão passaram por atendimento médico e foram liberados. A criança, que foi retirada da cena do crime por um militar antes dos tiros, foi entregue para a mãe.

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1 comentário

  1. A CRIANÇA foi retirada da Cena de qual Crime da tentativa de Homicídio que os três PMs atentaram contra a menina ,o Anderson e o Cachorrinho…?

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