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O recente título da Grande Rio de campeã do Carnaval carioca com o enredo sobre Exu, um dos orixás do candomblé, trouxe à tona o importante debate sobre a intolerância religiosa, que avança em Minas, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG).

Segundo a secretaria, somente em 2021 foram 96 registros de crimes com causa presumida de preconceito religioso contra 78 casos em 2020.

As religiões de matrizes africanas são alvos dos ataques, em sua maioria, e, segundo especialista, a sensação de impunidade, aliada com a intolerância cada vez mais presente na sociedade ajudam a explicar os números.

O aumento de casos registrados escancara, segundo a socióloga Ana Lúcia Modesto, a intolerância cada vez maior na sociedade brasileira. “A religião é só um dos aspectos. O discurso de rejeição ao outro é uma forma de impedir que certas semelhanças venham à tona”, diz a socióloga.

A estudiosa apresentou um dos pontos em comum entre religiões de matrizes africanas e as evangélicas, por exemplo. “Temos manifestações nas igrejas pentecostais da posse do Espírito Santo. Isso também ocorre no candomblé e umbanda. As semelhanças são fortes devido às origens. O discurso intolerante seria como negar as próprias origens, uma espécie de esquizofrenia social”.

Os dados de preconceito religioso tendem a ser muito maiores do que os registrados, conforme analisa Ana. “Muitas coisas ocorrem e não chegam à Justiça. O número que temos é minoritário e a realidade é mais violenta do que os registros das delegacias”, afirma.

A crescente de casos também pode ser entendida por outro fator: sensação de impunidade. “Não há punição e isso incentiva a violência. Quem comete o crime não tem medo de ser penalizado e cumprir pena ou pagar multa, mesmo isso estando previsto em lei. A legislação que pune o racismo religioso teve alteração em 1997. “A lei mudou e a realidade piorou”, destaca.

 

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