Barrosenses no resgate em Brumadinho

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“Eu nunca estive em uma guerra, mas eu me senti perto da realidade do que é mostrado em filmes. Estava tudo devastado. Onde a lama passou não havia nada vivo. A força e o poder daquele volume de lama foram capazes de arrancar árvores grandes com raízes, derrubar grandes estruturas, levar vagões e arrastá-los por quilômetros. A cena e o local são de devastação”.

A citação parece o trecho de um livro de ficção, mas trata-se de parte do depoimento do bombeiro Lauro Américo César Silva, barrosense que atuou no resgate das vítimas do rompimento da Barragem da mineradora Vale, que aconteceu no último dia 25 de janeiro, no município de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na imagem ao lado, Lauro saiu na capa do jornal Folha de São Paulo. Na foto, ele ajuda os companheiros a carregar mais um corpo encontrado na tragédia. Ele é o primeiro da direita para a esquerda.

Lauro, que pertence ao Terceiro Comando de Bombeiros da Zona da Mata e Campos das Vertentes e trabalha na cidade de Conselheiro Lafaiete, foi um dentre os centenas de militares convocados para atuar no resgate das vítimas do desastre.
Em entrevista ao programa EM PAUTA, do Jornal Barroso EM DIA, Lauro contou em detalhes a situação em Brumadinho e como a tragédia afetou sua vida.
De acordo com Lauro, ele soube do fato na sexta-feira, dia do ocorrido, e horas mais tarde, seu nome já constava na lista de convocados para trabalhar no resgate. Às 6 horas da manhã de sábado, ele e mais uma equipe de bombeiros já se encontravam em condições de atuar em Brumadinho, mais especificamente no Córrego do Feijão, na localidade da tragédia.

Lauro, junto à equipe de bombeiros, resgatou, no total, seis corpos, o que, segundo ele, trouxe um misto de emoções. “Particularmente, não sabia se ficava feliz ou triste. Feliz por poder dar um alento a uma família que tinha algum parente perdido e triste porque era mais um para a conta,” disse.
Para o bombeiro, umas das coisas que mais o marcaram nessa experiência foram o carinho e a mobilização das pessoas no salvamento e acolhimento das vítimas. “Sabe-se que Brumadinho está repleto de voluntários, pessoas que largaram trabalho, e não são funcionários da Vale, mas de qualquer contexto profissional. Pessoas do mais alto escalão de formação profissional até pessoas mais simples, mas com a mesma dedicação,” finaliza Lauro que, após uma pausa, deve voltar a Brumadinho para dar continuidade aos trabalhos.

Até o fechamento desta reportagem, segundo a Defesa Civil, o número de mortes confirmadas chegou a 150. Dentre elas, a Polícia Civil identificou 134 mortos e 182 pessoas seguem desaparecidas.

A HISTÓRIA SE REPETE

O desastre em Brumadinho não foi o primeiro a ocorrer no país envolvendo o rompimento de uma barragem. Em 5 de novembro de 2015, a barragem na cidade de Mariana, também pertencente à mineradora multinacional Vale, se rompeu e causou o que é considerado o desastre industrial de maior impacto na história do Brasil. Na ocasião, 19 pessoas perderam a vida.

RESGATE ANIMAL

A tragédia em Brumadinho não ceifou apenas vidas humanas, mas também de vários animais o que mobilizou médicos veterinários e voluntários a formarem uma equipe de resgate. Dentre os membros do grupo, se encontra a barrosense e estudante de Veterinária, Grazielly Melo.

Segundo Grazielly, em depoimento à Rádio Globo Barbacena, os salvamentos dos animais agora estão acontecendo de forma eficaz e a demora no início dos resgates aconteceu por questões de instabilidade da lama, difícil acesso aos animais que se encontravam atolados ou ilhados, ao risco de que outra barragem se rompesse, além de questões de logística e prioridade por parte do Corpo de Bombeiros nas buscas por vítimas humanas.

De acordo com Grazielly, até o momento, 36 animais foram resgatados e encaminhados a uma fazenda onde passam por triagem e recebem os primeiros socorros. Já com relação à polêmica envolvendo o abate de animais a tiro, Grazielly garante que não houve um disparo sem que o estado do animal não fosse avaliado pelos médicos veterinários responsáveis. “Nós podemos ver que há muito sensacionalismo distorcendo as informações, mas acreditem que nenhum envolvido está feliz em ter que abater alguns animais desta forma. Infelizmente é preciso às vezes optar por escolhas que, por mais difíceis que sejam, são para dar fim ao sofrimento do animal o quanto antes. Existem outras formas de eutanásia, mas o local não possibilitava isso devido ao risco iminente aos envolvidos no resgate. O abate por meio de tiro encontra-se dentro da legalidade de acordo com a lei pertinente para situações específicas, como foi o caso,” finaliza Grazielly.

A equipe de resgate conta com 30 profissionais entre médicos veterinários, estudantes de veterinária, zootecnistas e voluntários. Os momentos em Brumadinho foram impactantes e tristes, mas me sinto orgulhosa de poder ter auxiliado no salvamento de vidas”, diz Grazielly que na foto acima está em Brumadinho.

Clique aqui  e confira a entrevista completa com o bombeiro Lauro Américo. Aproveite e se inscreva no Canal do Barroso EM DIA no Youtube

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