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Ao procurar ajuda médica, no início de abril, para se tratar do que acreditava ser uma simples gripe, o aposentado Airton Carlos Lauriano dos Santos, 65 anos, foi internado de imediato no Hospital Santa Ana, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, porque estava com 60% dos pulmões comprometidos.

A partir dali, foram ao todo 103 dias de internação: 49 na UTI, sendo 28 deles intubado e sedado, 51 na unidade semi-intensiva e 3 no quarto antes de ter alta, na sexta-feira (17). Na fase mais grave, ainda sobreviveu a duas paradas cardiorrespiratórias.

O paciente não fez uso da cloroquina para tratar a pneumonia, apenas antibióticos associados. No entanto, o coronavírus acabou atacando outros órgãos, como o coração e os rins, o que levou a equipe médica a usar anticoagulante e anti-hipertensivo, além de remédios para insuficiência renal e insulina para a diabetes.

Na UTI, Airton também precisou passar por sessões de hemodiálise. Após quase um mês sedado, Airton diz ter acordado às 9h da manhã do dia 29 de maio, achando que tinha acabado de chegar ao hospital.

“Nunca dei tanto valor como estou dando agora para a classe de enfermagem e médicos, porque eles colocam a vida deles em risco para ajudar os outros. Eu sou testemunha disso. Temos de dar valor a esses profissionais, que são maravilhosos.”

Como não pôde ter a visita dos familiares, Airton conta que o que o ajudou a se recuperar foram as conversas com a equipe médica, que o animava no tratamento.

No dia da alta médica, Airton recebeu uma homenagem do hospital, com direito a vídeo com mensagens de familiares e do vocalista da banda Originais do Samba, Juninho Originais, o que o deixou muito emocionado.

“Quando saí do hospital, meu filho foi me buscar e demoraria uns 15 minutos de carro para chegar à casa da minha filha, onde estou ficando, já que minha mulher, Mara, 62, trabalha durante o dia. Demorei uma hora e dez minutos para chegar aqui. Rodei boa parte do bairro, da cidade, porque queria ver o povo e queria tomar sol. Fiquei três meses e meio no hospital e via o sol pela janela, mas não o sentia. Foi maravilhoso!”

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