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“São 27 anos fazendo com que a Mostra de Cinema de Tiradentes siga viva”, afirma Raquel Hallak, coordenadora-geral do festival que dá início à temporada cinematográfica do Brasil. Ela diz isso porque cada tenda montada, cada pessoa que pisa pelo chão histórico, cada minuto de filme que se passa, cada debate, oficina e encontro – tudo é calculado. Calculado com um objetivo único: “A gente nasceu para ser o grande aliado do cinema brasileiro e a gente sempre teve o compromisso de mostrar o retrato dessa produção no Brasil”. A missão segue viva e é o motor de tudo. E nessa sexta-feira (19), começa a Mostra de Cinema de Tiradentes. Com novos desafios, novas propostas, em um novo tempo, mas com o mesmo compromisso firmado lá no final do século passado.

Com o tema “As formas do tempo”, a proposta é pensar de que forma o tempo influencia na produção cinematográfica, no agora. Como lidar com a aceleração temporal diante da produção cinematográfica? É essa a pergunta que guia os filmes, os debates e as oficinas desta edição do festival, que segue até o dia 27 de janeiro. “O tempo de agora, esse tempo acelerado, determina o fazer cultural. A ideia, deste ano, é trazer implicações políticas, essa gestão da inovação, ao mesmo tempo a diversidade dentro do tempo: o tempo que cada um enxerga também ao ver esse cinema”, explica Raquel.

A temática parte de uma observação que a organização faz nos últimos dois anos. “A gente vê o que está mudando no audiovisual, quem está fazendo cinema, que filmes são esses, quais são as linguagens, as inovações e as narrativas.” A partir disso, pensa-se também nos homenageados que dialogam com a proposta pela sua trajetória. E, neste ano, eles são André Novais e Bárbara Collen. “Eles são duas personalidades que representam inovação no cinema brasileiro, ao mesmo tempo representam o cinema mineiro, que a gente destaca, através deles, nesta edição, que é um cinema que tem tido uma potência muito forte nos últimos anos”. André e Bárbara são de uma mesma geração de artistas – ela, na atuação, ele, na direção – que beberam das mesmas fontes e, juntos, inclusive, movimentaram esse cenário no Brasil todo.

Isso mostra, ainda, que apesar de reunir produções e participantes do Brasil todo, a Mostra de Tiradentes segue mantendo seu DNA mineiro. “A gente faz isso porque é fundamental olhar para dentro do seu estado. Ver o que está sendo produzido aqui. Ter um lugar reservado para a produção mineira. E várias mostras dão conta disso: a Regional, que reserva espaço para produção do interior de Minas, que muitos realizadores fazem oficina no festival, começam fazendo cinema a partir das oficinas; tem a Foco Minas, que já é destaque e aponta para produções com diferenciais; e nas outras mostras que têm essa interface”. Uma aposta, neste ano, é o filme “Placa-mãe”, de Igor Bastos, o primeiro longa-metragem feito no interior de Minas Gerais.

Ao mesmo tempo que olha para seu próprio espaço, abre o braço para todos os outros interiores. “A gente precisa dar conta da diversidade de produção do Brasil. Foi na Mostra que a gente estreou filmes de vários estados que não tinham espaço em seus próprios estados e que a gente estava olhando e apostando nessas cenas. A gente, com isso, faz, realmente, um recorte diversificado”. E o número de produções que vão ser exibidas mostra isso. No total, são 145 filmes. Deles, são 43 longas, três médias e 99 curtas-metragens. Eles vieram de 20 estados brasileiros. Além das 60 sessões, os debates e encontros também refletem essa diversidade. Alguns filmes também estarão disponíveis para serem acessados, durante a mostra, no site oficial, de forma gratuita.

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