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Quem passa tranquilamente pela Rua da Lagoa, no Centro da cidade, muita das vezes não dá conta de que o interior esconde grandes histórias. A tal Rua da Lagoa, que na realidade é a Rua Ladislau Artur de Magalhães, leva o nome do padrinho, segundo o registro de batismo, de Basílio de Magalhães, nascido, no dia 1º de junho de 1874, na cidade de Barroso. As informações são do estudante de história Emerson Carlos de Melo, que recentemente fez o uso da Palavra do Cidadão na Câmara Municipal de Barroso. No texto apresentado a população, Emerson fala da vida e obra de Basílio, que, por muitos, foi esquecido na história.

O registro de batismo de Basílio está no Livro de Batismo nº 1 da Paróquia de Sant’Ana de Barroso, na página 44. Conforme levantamento do estudante, ainda pequeno, Basílio mudou-se para a cidade de São João del-Rei, matriculando-se na Escola João dos Santos. Nesta escola, ele recebeu, em 15 de abril de 1884, o primeiro prêmio “Reginaldo de Barros” – medalha de ouro – pelo seu desempenho escolar. Ele também fez parte da imprensa regional, passando por grandes jornais da cidade histórica até se mudar para São Paulo. Já em terra paulista, Basílio se tornou advogado e continuou trabalhando na área da comunicação. Ele também lecionou em Campinas e Rio de Janeiro onde foi Diretor Interino da Biblioteca Nacional.

Basílio voltou para São João no ano de 1919 e se deparou com uma prática política conservadora e contrária à sua postura e a seus ideais liberais. “Não existem mais no mundo agregamentos étnicos puros, não há raças inferiores e superiores porém sim atrasadas e adiantadas”, disse Basílio em um dos seus textos e discursos. Mas foi em 1922 que ele entrou para política e foi eleito Senador Estadual Mineiro e, em 1923, Presidente da Câmara de São João del-Rei e Agente Executivo Municipal (cargo atual de prefeito). Também, ainda na política, em 1924, elegeu-se para Deputado Federal sendo reeleito para o mesmo cargo no ano de 1927. Ficou por pouco tempo na política e retornou a área da educação, onde foi autor de cerca de mais de 100 obras. Ele era um poliglota e pertenceu a 26 associações culturais, sendo 17 brasileiras e nove estrangeiras. Sua biblioteca chegou a possuir cerca de 27 mil volumes. Em 14 de dezembro de 1957, aos 83 anos de idade, Basílio de Magalhães faleceu em Lambari –MG, vítima de hemorragia cerebral. Seu nome foi dado ao Salão Nobre da Prefeitura Municipal de São João del-Rei.

RECONHECIMENTO

O que muito se debate nos dias atuais é o quão Basílio deixou de ser valorizado. De acordo com pesquisadores da sua obra, ele poderia ser muito mais valorizado por seu trabalho em prol da história e da política brasileira. “Em Barroso, por exemplo, quase ninguém sabe sequer que ele existiu”, comenta o estudante Emerson que faz questão de relembrar o barrosense ilustre. “Poderia ser mostrada sua história para incentivar outros a trilharem o caminho acadêmico”, diz o estudante que reforça que mesmo tendo nascido longe dos grandes centros urbanos, Basílio construiu uma história de vencedor.
Relembre o discurso do estudante Emerson na Câmara Municipal de Barroso.

 

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