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Difícil não se comover com a morte do ator e humorista Paulo Gustavo, ocorrida essa semana. Quem viu o filme Minha Mãe é Uma Peça sabe que não partiu só Paulo, mas se foram também Dona Hermínia, Marcelina, Juliano, Carlos Alberto e, sinceramente, um pouco de cada uma de nós brasileiros que nos identificamos com um personagem ou com o enredo da trama, em que uma mãe separada vive e defende a história de um filho homossexual. Paulo Gustavo transcendeu, transformou o humor brasileiro, derrubou paradigmas, preconceitos e recordes de bilheterias nos cinemas. A vida não é uma ciência exata. Assim como a de Paulo, e me refiro a tantos outros Paulos, quantas vidas poderiam ter sido evitadas desde o início desta pandemia de coronavírus. Quantos Paulos, Josés e Marias, de maior ou menor idade, perdemos porque não tiveram a chance de tomar a vacina, ignorada inicialmente por um governo negacionista, que calculou que 800 pessoas iriam morrer por Covid e hoje, quando ele diz que não aguenta mais falar nisso (se referindo ao uso de máscaras) temos mais de 400 mil mortos, 400 mil Paulos por aí. Quando Paulo morreu, outras 3 mil e 25 pessoas morreram no mesmo dia. A indignação não é por um ser, é por todos, não é por um Paulo, mas ela também não pode ser individual, deve ser coletiva. Uma coletividade que pode ser explicada pela nossa realidade.

Dos 25 óbitos registrados na nossa cidade até o momento, 18 foram de idosos, ou seja, pessoas que já deveriam, se houvesse o interesse desde o início do governo, ter tomado a vacina. Joe Biden assumiu a Presidência dos Estados Unidos em Fevereiro e hoje o país vacina crianças. Crianças! Não cabe a frase eles têm dinheiro. Um pouco de consulta e sensatez mostra que nosso governo ignorou mais de 10 compras de vacinas no ano passado. Vacinas que poderiam ter salvo mais vidas, mais pessoas, amenizado a dor de tantos seres humanos. É culpado sim! Assim como você, ignorante, que continua fingindo que se trata de uma “gripezinha” e se esconde atrás de posts covardes e mentirosos. Você que continua aglomerando, saindo com o vírus e matando pessoas. Covardes! A história, mais cedo ou mais tarde, vai mostrar o retrato real dos envolvidos, que serão julgados e condenados. E nós, assim como você, gente de verdade, que usa máscara e é motivo de deboche de “amigos”, temos a consciência tranquila de que fizemos jornalismo, informando e trazendo à tona os fatos, tentando salvar Paulos, Marias e Josés. Nossa solidariedade a todos os mais de 400 mil Paulos deste Brasil que ficou ainda mais sem graça.

por Bruno Ferreira

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