Pela primeira vez desde 1967, Minas não é mais líder no aço

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Desde 1967, Minas Gerais vinha ocupando o posto de maior produtor de aço do país. Só que, no ano passado, o Estado perdeu a primeira colocação para o Rio de Janeiro. Conforme levantamento do Instituto Aço Brasil, em terras mineiras foram produzidos 30,84% do aço brasileiro, o que representa 10,57 milhões de toneladas, enquanto no Estado vizinho a participação em 2017 foi de 30,85%. É a primeira vez que Minas produz menos que outro Estado brasileiro.

Se no ano passado, a diferença foi pouca, quase um empate, segundo o presidente da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, neste ano a distância já aumentou. De janeiro a maio de 2018, o Rio respondeu por 31,1%, ante 30,5% de Minas Gerais. O terceiro lugar foi ocupado pelo Espírito Santo (20%). Em 2016, Minas liderava com folga a produção de aço bruto no país, com 36,1%. O Rio de Janeiro representava, então, 29,6%.

A professora de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Mônica Romero frisa que a diferença entre os dois Estados produtores é bem pequena e pode estar relacionada a diversos fatores – entre eles, a entrada de novos concorrentes no mercado. Além disso, a parada nos altos-fornos das companhias acabam interferindo na quantidade de aço produzida. Em 2016, por exemplo, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) desligou um alto-forno em Volta Grande, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, a empresa reacendeu o equipamento, ajudando a aumentar a produção.

Minas Gerais leva vantagem na quantidade de empresas do setor – são nove –, mas o Rio de Janeiro, com apenas cinco, tem as mais modernas. “A vantagem do Rio é que as unidades são mais novas. Logo, mais modernas”, observa a professora.

O motivo para a perda da primeira posição do Estado, conforme Lopes, foi a entrada de mais concorrentes no mercado nacional. A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da alemã Thyssenkrupp, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, por exemplo, começou a construir seu complexo em 2005. A inauguração aconteceu em 2010 e, no ano passado, a CSA foi adquirida pela Ternium. O complexo de produção no Rio é considerado o mais moderno do país.

 

Greve

Prejuízo. A indústria do aço já fez as contas do prejuízo com a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias, em maio. Somente com a paralisação, o setor teve perdas de R$ 1,1 bilhão.

Instituto revê projeções para 2018

Diante de um cenário de várias dificuldades, como a imposição de cotas para a exportação para os Estados Unidos, mudança da alíquota do Reintegra de 2% para 0,1% e indefinição da tabela do frete, o setor siderúrgico está revendo a previsão do desempenho da produção e das vendas para o mercado externo. O Instituto Aço Brasil – entidade que representa as empresas produtoras de aço no país – deve divulgar as novas projeções ainda neste mês.

A última estimativa foi revelada em abril e previa alta de 8,6% na produção de aço no país em 2018, em comparação com o ano anterior.

No caso das exportações, o instituto previa volume 10,7% maior neste ano, o que garantiria incremento de 27,7% de valor arrecadado com as exportações.

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