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Em 1º de janeiro de 1980, há cerca de 40 anos, o então Prefeito da cidade de Barroso, José Bernardo Meneghin (MDB), inaugurava sobre aplausos, fogos de artifício, banda de música e dança folclórica, o busto de Antônio da Costa Nogueira, fundador de Barroso. A homenagem foi realizada através de uma obra inaugurada na Praça 1º de Janeiro, hoje denominada Praça Antônio Graçano, conhecida por muitos populares como Praça do Forninho, na Avenida Genésio Graçano, em frente à rodoviária.

Além da presença da população e de uma grande festa em reconhecimento a Antônio da Costa Nogueira, estiveram presentes, segundo edição do jornal do executivo da época, o Cônego Luiz Giarola Carlos, o Padre Luiz, que descerrou o pano (foto), e o primeiro Prefeito da cidade, Geraldo Napoleão de Souza que na ocasião discursou sobre o homenageado.

Anos depois, não é possível confirmar a data uma vez que não há registros, em um ato de vandalismo, a cabeça (o busto) de Antônio da Costa Nogueira, o português que fez as doações de terra para o nascimento do município, desapareceu. E exatamente, neste dia 5 de setembro, data da morte de Antônio (5 de setembro de 1761), que o Barroso EM DIA questiona onde foi parar a cabeça do fundador da cidade de Barroso. A redação do jornal procurou o ex-Prefeito Meneghin que informou detalhes do monumento à época idealizado pelo artista e funcionário da Prefeitura Maurício de Sena, sobre o desaparecimento e o mesmo esclareceu que não sabe precisar quando aconteceu o episódio.

Já o historiador Wellington Tibério, que escreveu um livro sobre Antônio da Costa Nogueira, disse que é preciso reforçar que se tratava de um busto imaginário, pois não existia e não existe nenhuma referência da aparência de Antônio da Costa Nogueira. “Era impossível fazer uma réplica da sua face. Não existem pinturas com a descrição da face de Antônio”, ressalta o historiador que reforça, que independente de ser um busto imaginário, foi uma tentativa de homenagear um dos primeiros habitantes de Barroso e a revitalização da praça e do busto já deveria ter sido feita pela Prefeitura.

Fato é que, ao longo destes 40 anos, ne-nhum governante, desde 1980, se preocupou em repor e reformar a obra que está no ostracismo na Praça Vice-prefeito Antônio Graçano. “Sempre passei aqui e não entendi essa pedra com uma placa. Pra mim não tinha busto nenhum”, conta Ricardo Silva que passa para fazer caminhada na avenida e nunca entendeu o monumento.

FUNDADOR

São 259 anos do falecimento de Antônio da Costa Nogueira e cerca de anos do sumiço da cabeça do chamado fundador da cidade, que nasceu em 8 de janeiro de 1685 e viveu 76 anos de idade. Foi ele o responsável pelas doações de terra, em 1729, e liderou a construção da capela de Sant´Ana, onde hoje existe uma réplica, conhecida como igrejinha, na Rua Daniel Pantaleão. Antônio foi sepultado em Barbacena, na Igreja da Piedade. Ele era natural da freguesia de Verm​oin, em Portugal, onde também tem uma rua com o seu nome.

Ainda no que diz respeito ao fundador, foi lançado em 26 de abril de 2019 o livro ” Barroso: Um relato sobre a origem”, de autoria de Tibério. A obra, resgata o perfil biográfico de Antônio da Costa Nogueira, devoto de Senhora Sant’Ana. Dentro deste contexto e como forma de reconhecimento do fundador, houve uma entrevista à Rádio Liberdade FM, concedida pela Secretária Municipal de Turismo e Cultura Ariane Figueiredo, que afirmou sobre uma parceria com Tibério para realizar uma capacitação com os professores voltada para a História de Barroso. “

“A intenção do município é fazer a doação de um livro deste para eles poderem trabalhar”, diz Ariane em entrevista à emissora. Porém, cerca de um ano depois, até o momento, segundo o historiador, a “intenção”, citada pela Secretária, não foi concretizada. “O que houve na verdade foi uma proposta neste sentido, inclusive foi apreciada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico do Município, mas na prática não houve nada. Entretanto lamento mais pelos nosso professores que não receberam seu exemplar e a oportunidade de transmitir conhecimentos aos seus alunos”, finaliza Tibério que também foi Presidente do Conselho Municipal de Barroso.

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