A Copa nos ensinou!

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Entre todas as lições possíveis, a Copa do Mundo, mais uma vez, nos ensinou, como sempre nos ensina desde 1930, quando nasceu com o intuito de unir os povos.

Longe das marcas e dores da Primeira Guerra Mundial, as lições têm sido maiores, a cada dia, digo, a cada Copa.

Assim, em 2018, dentro de um berço cultural exuberante, a simpática Rússia, do pouco simpático Senhor Vladimir, nos ensinou, mais uma vez.

E se foi um francês, que por sinal lutava contra as desigualdades sociais há cerca de 100 anos, que criou a sigla poderosa e a Copa, foram eles, os franceses, que ficaram com a maior das lições este ano, ou seja, de que um time bom, não precisa ser ótimo, pode ganhar o mundial.

Mas mais do que levantar a taça, a Copa, como em 30, hoje e no Catar, sempre vai nos ensinar muito além das linhas divisórias do gramado.

Foi a Copa, da Rússia, que nos ensinou que um pequeno país pode chegar a uma decisão. Que este mesmo país, por mais novo que seja, pode ter o melhor jogador da Copa. Ela nos ensinou e, acredite, aprendemos que aquela camisa quadriculada em vermelho e azul esconde e estampa as marcas de um povo que conseguiu, mesmo depois de guerras e mais guerras, sorrir por algumas prorrogações e pênaltis.

Foi esta mesma Copa que nos explicou e, por sinal, nos comoveu ao nos contar que um tal Lukaku tinha fome de gols porque já teve fome de verdade. Foi a Copa que nos ensinou que não só aqui, mas os filhos choram pelo país, mesmo que este tenha marcado poucos gols e levado goleadas. Que se o seu goleiro falhar, sua seleção vai perder e voltar para casa, mas os salários deles não deixarão de cair em suas contas. Que eles são ricos, mas já foram pobres e venceram na vida. Que cataram papeis e hoje fazem papelões. Que lugar de mulher é onde ela quiser. A Copa nos ensinou que futebol se joga de pé, como homens, e não como meninos. Que o futebol não voltou para casa; que sozinho, por mais bonito que seu cabelo seja, seu time não vai ganhar. Que na marra não dá; que só na técnica também não. Que Melhor do Mundo é uma coisa; ganhar a Copa do Mundo é outra. Que Vida é muito mais do que um nome; que as palmas islandesas e seus povos e as histórias daqueles “chifres” nas arquibancadas nos passam uma energia positiva. Que la Mano de Dios é a mesma mão que erra na dose. A Copa é fantástica, ultrapassa os 90 minutos e nos ensina para toda a vida que os japoneses e senegaleses recolhem os próprios lixos e ajudam a limpar a humanidade tão suja e radical. Que agora, temos que esperar a tv para, de fato, comemorar. Que goleiro tem fator hereditário, que chove no verão russo, que o campeão vestiu azul, que a Praça Vermelha não tem só vermelho, que alguns atletas já dormiram na rua e que o Kremlin é uma residência oficial. É uma aula diária para o resto da vida. Para os leigos, ursos e apaixonados, a Copa nos ensina e nos ensinou que Salah não é uma mistura de verduras, que o povo iraniano é resistente dentro e fora dos gramados, que antes de brigar para jogar uma Copa você tem que combinar com seu treinador que você vai jogar a Copa, que os alemães perdem dentro e fora do campo quando a batalha é na Rússia, que aquele dentuço é querido no mundo todo, que assédio e machismo tem em toda parte do mundo, que, ao contrário de Putin, a Senhora Croata é de uma simpatia inigualável. Que eles gastaram mais do que nós e que também construíram elefantes brancos. Que cada um faz o nome do pai da forma que quiser. Pede a Deus ou não. Ela nos ensinou que, independente da sua posição política, a Seleção vai jogar, vai ganhar ou perder. E mais, nos instruiu que é opção sua, torcer ou não para o seu país. Que não precisamos e não devemos concordar com tudo que a FIFA diz e traz.

Enfim, por fim, mais uma vez a Copa nos ensinou e aprendemos inúmeras lições, principalmente fora dos campos.

E é assim, de Copa em Copa que a gente segue a vida, segue lutando, emocionando, chorando, sorrindo e aprendendo que futebol é uma paixão mundial que une povos e contribui para que possamos ser seres humanos melhores a cada dia, digo, a cada Copa.

por Bruno Ferreira.

 

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