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Embora a CBF ainda esteja enfrentando caos político e jurídico, o retorno de Ednaldo Rodrigues à presidência da entidade deu um norte para a Seleção Brasileira. O primeiro passo foi a demissão de Fernando Diniz, que se mostrou inepto para a função. O segundo passo foi definir rapidamente Dorival Júnior como o sucessor.

Considerando que Carlo Ancelotti, o preferido de Ednaldo, acertou sua permanência no Real Madrid, o dirigente dificilmente encontraria um plano B mais adequado que Dorival. Muitos defenderam o nome de outro treinador estrangeiro como os portugueses José Mourinho, Abel Ferreira e Jorge Jesus, mas cada um, a seu modo, traria interrogações maiores do que o técnico do São Paulo traz.

Mourinho nunca externou de forma clara o interesse de dirigir uma seleção. Ao contrário, sempre disse que o dia-a-dia é fundamental para o seu trabalho. Além de ter um estilo mais defensivo, o comandante da Roma está em baixa na carreira quando comparamos com a época em que era o Special One.

Abel Ferreira está ambientado ao Brasil, tem uma trajetória vitoriosa e meteórica no Palmeiras, mas, assim como Mourinho, possui um estilo mais defensivo em que os cruzamentos e as bolas longas são partes fundamentais do modelo de jogo. Porém, quando se pensa em Seleção Brasileira, o toque de bola é característica fundamental.

Toque de bola que remete a Jorge Jesus. Nos últimos anos, nenhum time brasileiro tratou tão bem a bola quanto o Flamengo de 2019, treinado por Jesus. Muitos compararam o rubro-negro com a Seleção de 1982. Não há dúvida que esse jogo bonito é o que se espera do Brasil e ser um mestre no quesito tático torna Jesus uma indicação óbvia. No entanto, o compromisso com o Al-Hilal – que faz parte de um projeto do estado saudita – e o estilo autoritário devem ter feito a CBF pesar o convite.

É nesse cenário que Dorival Júnior surge como bola da vez. Dono de um currículo bastante diversificado em termos de clubes, Dorival reúne muitas das características que a Seleção precisa neste momento de baixa. A primeira delas é a gestão de um grupo que vem de maus resultados. É da natureza do técnico acalmar os ânimos e dar tranquilidade para os atletas entrarem em campo.

Esse estilo paizão pode ser muito útil em momentos de crise, mas nunca seria suficiente para manter uma carreira vitoriosa de pé e muito menos para comandar a Seleção Brasileira cujo objetivo sempre será o título mundial. É preciso muito mais do que gerir pessoas e é aí que surgem as outras qualidades de Dorival que se encaixam perfeitamente com a missão.

A principal qualidade é a capacidade de se adaptar ao que é possível e oferecer respostas rápidas. Para um grupo como o da Seleção que se encontra esporadicamente, quem simplifica sai na frente. Outro trunfo é a flexibilidade tática. Dorival é capaz de transitar bem entre um estilo posicional e funcional sem traumas. Também consegue alternar sistemas táticos de acordo com as características dos jogadores. Um ótimo exemplo foi ter lançado mão no Flamengo de um pouco usual 4-3-1-2 para acomodar o meia Arrascaeta atrás dos atacantes Gabriel e Pedro. O resultado foi a melhor campanha da história da Libertadores e mais uma Copa do Brasil para a galeria do clube.

Por último, mas não menos importante, Dorival é capaz de armar bons sistemas defensivos, concedendo poucas chances aos adversários. Para um time que disputa competições com o formato de copa (América e do Mundo), defender bem é fundamental. Não por acaso, a defesa teve papel fundamental no tetra e no pentacampeonato da Seleção. Esta, uma conquista que completa 24 anos na Copa do Mundo de 2026, um jejum mais do que incômodo.

por Michel Costa

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