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A disputa eleitoral começou pra valer. Neste mês de julho iniciam-se as convenções partidárias para definição de chapas aos Governos Estaduais e Federal, Senado e a grande “lista” de candidatos a Deputado Federal e Estadual. Ao que parece, tanto para o Palácio do Planalto quanto para o Palácio da Liberdade, as candidaturas estão bem definidas. Dois candidatos se destacam nas pesquisas nas duas eleições, com ideias bastante diversas. Espero que assim como ensina Hegel, essas tese e antítese de cada lado sejam levadas a um discurso dialético para que o vencedor possa fazer uma síntese das proposições e aplique o que for melhor para o Brasil, sabendo que governará a todos, e não só a seus correligionários.

Contudo, o que gostaríamos de discutir nessa coluna é a eleição para Deputados Estaduais e Federais. A essa, damos menos importância, mas, na verdade, o que vemos é um enorme poder crescente nas mãos de Deputados, inclusive com poder de dificultar em muito a administração do chefe do Executivo. Sempre vejo na cidade faixas agradecendo a deputados pela “doação” de verbas para instituições. Hospitais, Escolas, Prefeituras são entidades que sempre merecem essas “benesses” dos nossos legisladores. Um tosco desvirtuamento do papel do Legislativo e da Tripartição dos Poderes doutrinada por Montesquieu. Não devemos ser ingênuos de acreditar que os Deputados “doam” algo. Nada sai do bolso deles. É verba pública derivada de nossos tributos. O que ocorre são “indicações” ou “emendas parlamentares” que, de maneira pouco republicana, divide a fatia da arrecadação do Estado e da União para que os Deputados encaminhem para seus distritos eleitorais (ou seriam currais?) referidas verbas.

Fico entristecido ao ver na imprensa ou, repetindo, em faixas, a ocorrência de doação desse ou daquele deputado. É mentira! Nada foi doado pelo Parlamentar. Apenas indicado. Se realmente quisesse fazer o bem para a população, e não para si próprio, não precisaria, o parlamentar, dar publicidade a seu ato. É bíblico: Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita. Mas esse ensinamento parece não valer para nossos parlamentares, seja ele Padre, Pastor, Cristão ou ateu…

A indicação de emendas é um nefasto golpe à democracia e à alternância de Poder, já que os que ocupam as Cadeiras do Parlamento fazem política com o dinheiro público, utilizando-se verbas públicas como “palanque” eleitoral. Pior, esquecem seu papel principal, que é de ser legislador. Estamos em uma discussão nacional sobre a instauração de uma CPI no MEC. E o que os parlamentares decidiram? Deixar para depois das eleições. Cumprir seu papel de fiscal do Executivo, discutir leis que garantam melhoria de vida para a população, isso fica pra depois.

Temos que ter cuidado com a escolha de nossos representantes. Deputados e Senadores são tão importantes quanto os chefes do Executivo. Temos que escolher bem. Não pela “bondade” dos candidatos, mas por seu caráter, suas idéias e suas escolhas. São eles que elaborarão as leis que regerá nosso país e nosso Estado. Não podemos deixar que pessoas de mau caráter continuem a nos representar. E não é de se esquecer a existência do bilionário fundo eleitoral aprovado pelos Deputados e Senadores, mesmo havendo fome em nosso país… O custeamento público de campanhas é uma realidade, mas 5 bilhões de reais é um farra com nosso dinheiro. Pensem bem, caros cidadãos. Indicações parlamentares, a princípio, podem demonstrar a preocupação do candidato com a nossa cidade. Mas será que a preocupação não é com ele mesmo, através de uma “troca de votos”? Será que esse candidato esteve aqui nos últimos quatro anos? Sabe dos problemas da cidade? Vota no Congresso ou na Assembleia de acordo com nossos interesses e pensamentos? Será que sabemos quais são os votos de tal candidato no exercício de sua função? Precisamos deixar de ser passivos, e analisarmos melhor nossos votos. Não podemos deixar a regulação de nossa vida na mão de pessoas que não nos representam com seus votos, opiniões e palavras. Essa é uma obrigação nossa com a sociedade.

Ps.: Há alguns meses, nossa coluna tratou sobre o tema “obras debaixo da terra”. Mais uma vez, a vontade popular ecoada foi respondida pela Administração Pública Municipal, que já iniciou a obra para reforma da rede pluvial no centro da cidade. Parabéns aos envolvidos. E que os alagamentos na parte central da cidade sejam passado.

por Gian Brandão

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