Vinte e cinco anos após a reforma psiquiátrica e a promessa de eliminação de manicômios no Brasil, 14 pessoas internadas no Hospital Colônia, em Barbacena, no Campo das Vertentes, começam a ser transferidas para um novo lar.
Debilitadas, algumas dependentes de sondas para se alimentar, acamadas e sem nenhuma referência ou contato com o mundo externo por décadas, elas encerram uma das piores histórias de exclusão e abusos presenciadas no Brasil no apagar das luzes do maior hospital psiquiátrico já existente no país.
Lei 10.216, de 2001, forçou a eliminação de hospitais como o Colônia. Mais de 60 mil pessoas que foram levadas para a unidade, fundada em 1903, não saíram vivas. Os remanescentes deixam o palco de inúmeras torturas até quinta-feira e seguem para uma residência terapêutica, mantida pela prefeitura.
Provavelmente, eles darão seus últimos suspiros no novo lar, ainda sendo cuidados por enfermeiros. Segundo o gerente de internação do Complexo Hospitalar de Barbacena – composto pela unidade onde eles estão, além de um hospital geral e do Museu da Loucura –, Márcio Antônio Resende, são seis homens e oito mulheres. O mais novo tem 57 anos e 21 de internação. O mais idoso tem 91 anos, tendo vivido 64 deles no local.
Jornal O Tempo

