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A partir da próxima terça (14), parte dos servidores da educação, que atuam nas escolas estaduais de Minas Gerais, terão que retornar ao trabalho. A decisão foi tomada pelo Comitê Extraordinário Covid-19 e publicada no último dia 8.

Por  enquanto, somente os servidores das áreas administrativas devem retomar suas atividades. Foi estabelecido que essas atividades possam ser realizadas em regime de teletrabalho, ou seja, fora das dependências escolares. No entanto, a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), poderá manter abertas as unidades escolares em casos onde o teletrabalho não é uma opção viável.

A volta das atividades administrativas não significa, por hora, a retomada das aulas. Mas a previsão da Secretaria Estadual de Educação é que, no dia 4 de maio, os alunos da rede estadual voltem às aulas em regime de educação à distância. “Agora a preocupação é cuidar da saúde, mas nós, profissionais da educação, temos uma preocupação a mais, que é a continuidade dos estudos de nossos alunos”, declarou a secretária de estado de Educação, Juliana Sant´Anna, em um vídeo publicado nas redes sociais oficiais da pasta.

A medida não agradou a todos. A Assembléia Legislativa de Minas Gerais enviou uma denúncia ao Ministério Público Estadual, na qual solicita que o órgão “tome todas as medidas cabíveis que julgar necessárias, em caráter de urgência, para que seja mantido o fechamento de todas as unidades escolares da rede estadual de ensino, garantindo, assim, o direito à proteção à vida e à saúde, por meio da manutenção do isolamento social recomendado pela Organização Mundial de Saúde, de todo/as profissionais da educação, alunos/as, pais, mães, familiares, comunidade escolar e da população mineira”.

”A GENTE SABE QUE A SAÚDE NESSE PAÍS NÃO É PARA TODOS. DIANTE DA FRAGILIDADE DO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICA, SE FAZ AINDA MAIS NECESSÁRIO O ISOLAMENTO SOCIAL.”

Janaine Carvalho Ferreira

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), em comunicado dirigido à comunidade escolar e a sociedade, também se posicionou contrário à medida. A coordenadora da Subsede do Sind-Ute em São João del-Rei, Janaine Carvalho Ferreira, que é professora das redes municipal e estadual de ensino, acredita que a medida proposta pelo Governo de Minas coloca em risco não só o conjunto de trabalhadores da educação, mas toda a sociedade. “A gente sabe que a saúde nesse país não é para todos. Diante da fragilidade do sistema de saúde pública, se faz ainda mais necessário o isolamento social”, defende a professora.

A coordenadora da subsede local do Sind-Ute esclarece ainda que a preocupação dos servidores é com a saúde e preservação da integridade dos mesmos e de suas famílias. “Sobre os ASBs (Auxiliar de Serviços de Educação Básica), nesse momento que as escolas não vão estar recebendo alunos, não tem demanda de trabalho para eles e não existe justificativa para que essas pessoas estejam retornando ao trabalho”, afirma Ferreira.

EAD sem internet universalizada?

”COMO ESSES ALUNOS QUE MAL TERIAM CONDIÇÕES DE SE ALIMENTAR SEM UM SUPORTE DO ESTADO CONSEGUIRIAM ACESSAR UM MODELO DE ENSINO À DISTÂNCIA”

Professor da rede estadual de ensino

Sobre a retomada das aulas de forma remota, a proposta do governo ainda não ficou clara nem para o sindicato nem para os professores. Um professor da rede estadual de ensino de São João del-Rei, que preferiu não se identificar, afirma que a falta de um planejamento específico de como esse ensino a distância vai funcionar dificulta o posicionamento sobre a medida.

Ainda sim, ele elencou uma série de desafios, que precisam ser superados para que a medida funcione. Entre eles estão à falta de acesso aos recursos de tecnologia e internet necessários para o ensino à distância e o fato de que “nem os alunos e nem os professores têm experiência com esse tipo de modelo de ensino e aprendizagem”.

Outra preocupação é de que o ensino à distância (por ser mais barato ao orçamento do Estado) possa propiciar redução nas vagas de emprego dos profissionais da escola em geral (sobretudo os professores).

As dificuldades para os alunos e suas famílias também foram elencadas. “As famílias mais pobres não poderão dar o mesmo apoio e suporte aos seus filhos que as famílias com melhores condições, o que pode agravar ainda mais o distanciamento entre esses grupos sociais”, afirma o professor.

A desigualdade social se apresenta também quando se trata da merenda escolar, que muitos alunos têm como a principal refeição do dia. Lembrando da proposta do estado de auxiliar essas famílias, o educador questiona como fica “a questão de que como esses alunos que mal teriam condições de se alimentar sem um suporte do Estado conseguiriam acessar um modelo de ensino à distância”.

Informações Notícias Gerais

 

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