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Velório, enterro e uma despedida digna. É isso que as famílias de três vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, esperam na tentativa de encerrar a dor do luto, que completa cincos anos nesta quinta-feira (25). O maior desastre socioambiental do país matou 272 pessoas – incluindo os bebês de duas mulheres que estavam grávidas.

Os restos mortais de Nathália de Oliveira Porto Araújo, de 25 anos, Thiago Tadeu Mendes, de 34, e Maria de Lurdes da Costa Bueno, de 59, nunca foram encontrados, apesar dos esforços diários das equipes do Corpo de Bombeiros, que atuam na região desde 25 de janeiro de 2019.

Estagiária da Vale na época, Nathália Araújo deixou dois filhos. No momento da tragédia, ela estava no refeitório – que foi tomado pela lama – conversando com o marido, pelo celular. Segundo familiares, ela chegou a relatar fortes barulhos e tremores de terra.

“No meio da conversa, ela notou que as árvores estavam tremendo muito. De repente, viu o mar de lama vindo na direção dela. A ligação se encerrou subitamente”, conta Tânia Efigênia de Oliveira Queiroz, prima de Nathalia.

A família conta que Nathália era conhecida pela tranquilidade e amor incondicional aos filhos. “Era muito estudiosa e com uma dedicação imensa à família. Era uma pessoa alegre, gostava muito de viver”, diz a prima, lembrando que a jovem saía cedo para trabalhar “com um sorriso no rosto”, voltando somente às 17h.

Segundo a Tânia, os parentes seguem em luto. “Já se passou tanto tempo, mas parece que foi ontem. Seguimos vivenciando essa dor diariamente, esperando por um enterro digno”.

Quem também relata a dor de não ter conseguido dar um enterro digno ao filho é Lúcia Mendes Silva, mãe do engenheiro mecânico  Thiago Mendes. O jovem trabalhava na mina de Sarzedo e foi transferido para Brumadinho 20 dias antes do rompimento da barragem. Ele deixou dois filhos e a esposa.

“Toda vez que ficávamos sabendo de um segmento encontrado pelos Bombeiros, já nos dava aquela esperança de que seria ele. É uma dor que não desejo para ninguém. A gente tá vivo mas, ao mesmo tempo, morto por dentro”.

A terceira vítima, Maria de Lurdes, era corretora e passava férias em uma pousada da cidade no dia do desastre. Por conta da força da lama, o imóvel onde estava hospedada ficou completamente destruído. Além dela, os dois enteados, a nora e o marido morreram soterrados.

O rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão ocorreu às 12h28 de 25 de janeiro de 2019. No momento, trabalhadores da empresa Vale estavam no refeitório. Além das vidas perdidas, a tragédia gerou uma série de impactos ambientais e econômicos para Brumadinho e municípios da bacia do Rio Paraopeba.

Ao todo, 9 milhões de metros cúbicos (m3) de rejeitos vazaram. A lama percorreu mais de 7 km e atingiu o rio que é um dos afluentes do São Francisco, responsável pelo abastecimento de 2,3 milhões de pessoas, inclusive da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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