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A reportagem do Jornal Folha de São Paulo trouxe este fim de semana a triste e vencedora história de Germânio Eustáquio da Silva. O barrosense, de 69 anos de idade, que morreu no último dia 19 vítima da Covid. Assina a matéria a repórter Patrícia Pasquini.

De acordo com a Folha, Germânio, que nasceu em Barroso, foi paciente psiquiátrico internado na década de 1980, que ao sair do hospital foi para uma residência terapêutica (RT) destinada a pessoas com transtornos mentais internadas em hospitais psiquiátricos que não puderam retornar às famílias. Lá manifestou a vontade de estudar.

Fez o EJA (Educação de Jovens e Adultos), prestou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e com a nota da prova ingressou na universidade. Pelo menos na região de Barbacena, ele foi o primeiro morador de RT a chegar ao ensino superior, segundo alguns professores.

Com o trabalho de conclusão de curso aprovado, ultimamente finalizava disciplinas da graduação de publicidade e propaganda da Unipac (Universidade Presidente Antonio Carlos), em Barbacena, Minas Gerais. Seu sonho foi interrompido pela Covid.

Ele foi Bicampeão do Prêmio Expocom Sudeste nos anos de 2021 e 2022, é ainda coautor de dois trabalhos que serão apresentados no 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), em setembro, em João Pessoa.

VIDA

Motivos não faltaram a Germânio para se revoltar contra a vida, mas ele optou por usar sua doçura para ensinar as pessoas a sua volta a ser alguém melhor. “Ele me ensinou a escutar mais e ter mais doçura. Sempre foi um ser humano amigo, calmo e paciente. O legado dele é da busca pelo conhecimento. É muito bonito uma pessoa de quase 70 anos buscar a formação numa faculdade”, diz Ricardo.

“Era a prova viva de que o diagnóstico não pode fechar portas. A vida dele foi um resgate de cidadania e superação”, afirma a psicopedagoga e psicóloga Maria da Conceição Fajardo Monteiro, a Sãozinha. Ela o acompanhou durante sua trajetória acadêmica quando era responsável pelo NAP (Núcleo de Apoio Psicopedagógico) da Unipac.

“Os versos ‘A arte de sorrir / Cada vez que o mundo diz não’ da canção ‘Brincar de Viver’, cantada por Maria Bethânia, o representava. Germânio transmitia alegria, apesar das dificuldades. Ele adorava essa música e brincava que era nossa”, conta Maria Fajardo.

Na reportagem da Folha não há informações sobre a sua família.

 

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