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Jamais, em qualquer outro tempo deste planeta, a informação foi tão importante e ao mesmo tempo tão iníqua. Da noite para o dia, em meio a um turbilhão de acontecimentos, os seres humanos, ou uma grande parte deles, acordaram e resolveram se informar por si só, sem precisar se amparar nos meios de comunicação.

Desligaram as TVs e os rádios, rasgaram livros, revistas, jornais e deletaram os portais. Segurando apenas um celular, como se fosse uma verdade única, ríspido em punho, espumando aos cantos, é comum, desde pouco tempo, alguém vociferar: Eu li aqui. É verdade!

Assim, o “eu li aqui” tornou-se o lema dos ignorantes, injustos e covardes. Eles não querem conversar, debater, ouvir ou falar, já encontram a sua verdade. Aonde? Não importa. Em frações de segundos, no movimento retilíneo torto da internet, ele dá o seu veredito, a sua sentença, simplesmente baseada em subsídios de uma “leitura” que veio da rede, onde ele procurava a sua verdade, do modo que ele queria enxergar e a encontrou, e não importa aonde.

Tem sido assim: como num passe de mágica são médicos, engenheiros, especialistas, policiais, presidentes e por fi m, juízes, que condenam com um celular na mão. Sem piedade! E para isso, ele simplesmente leu. Ou acha que leu! Não, não estudou, não apurou, não averiguou, não questionou, simplesmente leu e agora é verdade. O mundo tem se resumido nisso e ai de quem discordar. Eu li, tem sido assim, as pessoas, cada vez mais, em parcela maior ainda, acreditam que estão lendo. E o pior, acreditam que estão de fato se informando, sem ao menos saber de onde vieram as verdades que só eles procuravam. O que interessa é simplesmente o… Eu li! É verdade!

por Bruno Ferreira

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