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Cartazes de apoio pedindo justiça, muito afeto e carinho: foi assim que Juliana Gava de Faria foi recebida no Fórum de Barbacena para o primeiro dia de depoimento sobre o crime do qual foi vítima. A administradora perdeu a filha e o marido em um incêndio criminoso no prédio em que morava, em março deste ano.

Nessa segunda-feira (20), Ju, como é chamada por amigos e parentes, foi prestar depoimento pela primeira vez na ação. Na garagem do apartamento em que residia, um carro foi incendiado pelo subtenente da Aeronáutica, José Ricardo Rossi dos Santos, no dia 15 de março, com objetivo de se vingar da ex mulher, que também morava no local. Acabou atingindo fatalmente a família de Juliana.

Como consequência, morreu a filha de Ju, Helena, de 4 anos, asfixiada pela fumaça do fogo, que se alastrou para outros onze veículos na garagem. O pai da menina e marido da administradora, Thiago Faria de Pupo Nogueira, faleceu dias depois no hospital.

Manifestação

Como forma de apoio e de pedir justiça ao caso, cerca de 45 familiares e amigos, vestindo branco e segurando cartazes, foram receber Ju no Fórum de Barbacena, onde prestou depoimento. Os conhecidos quiseram dar amparo a ela neste momento tão difícil.

“A justiça de Deus é soberana, mas queremos que a justiça do homem seja mais rápida”, diz Brenda Pekins de Almeida, amiga de Juliana. Emocionados com a história, os manifestantes seguravam faixas e formaram um cordão em frente à instituição, para que todos pudessem ver da rua.  “O homem destruiu a família, foi um crime brutal, ela precisa buscar forças e estamos aqui para ajudar”, relata Brenda. Ela e Juliana se tornaram próximas devido à amizade das filhas, que tinham aula juntas. Com a tragédia da morte de Helena e de Thiago, o laço se intensificou.

Apoio

O luto ainda se faz presente na vida de Juliana e a amiga diz que a administradora está vivendo um dia de cada vez. “O luto é uma montanha russa”, compara. Para passar por este momento, o apoio de pessoas queridas tem sido constante. “Estamos com ela nas orações, em força, companhia, lágrimas e ombro amigo”, diz Brenda.

Os amigos e familiares ficaram reunidos do lado de fora do Fórum, esperando Juliana Gava entrar para prestar depoimento e ali permaneceram até o final. Fátima Assis, outra amiga, diz que os manifestantes estavam ali para apoiar. “[Viemos] dar força à Ju, não nos cabe julgar, isso é com Deus e com a justiça. A gente não consegue substituir [as pessoas que faleceram] então viemos abraçar e acalentar”.

Também estavam no local parentes do acusado, José Ricardo Rossi dos Santos. Juliana foi até a mãe do subtenente para conversar e demonstrar empatia, “tanto de um lado como de outro, a família dele também é vítima. A mãe dele está com o coração doendo”, diz Fátima Assis.

Fada Madrinha

Depois da tragédia, Juliana Gava e duas amigas, Bruna Fernanda Nogueira e Mônica Ferreira, se uniram para criar a organização Fada Madrinha. O objetivo é ajudar a população carente da cidade, como crianças e idosos em situação de vulnerabilidade, arrecadando alimentos, cobertores e agasalhos.

Bruna Nogueira, amiga de Ju há mais de 20 anos e idealizadora da Fada Madrinha, diz que o momento é de dar forças. “Eu perdi minha família ano passado em um acidente de carro, é difícil perdoar, mas não tem jeito”, completa.

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