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Não pode passar em branco e não passará, pelo menos pelo Barroso EM DIA!

Doze de dezembro de 2020 completa 20 anos sem Isabel Vidal, a Isabelinha, que para muitos, tornou-se um Lindo Passarinho Azul, voou e pousou ao lado de Nossa Senhora. Ela faleceu no dia 12 de dezembro de 2000 aos 85 anos de idade e desde então, Barbacena e o mundo nunca mais foram os mesmos. 

Se estivesse viva, completaria, em fevereiro próximo, mais precisamente no dia 28, 105 anos de idade. (Nascimento – 28/02/1915) Pode parecer muito, mas se tratando de Isabelinha, ainda seria pouco. Na verdade, seres humanos como Isabelinha deveriam ser eternos.

Jornais e noticiários da época informaram que Isabel sofreu uma queda no dia 20 de novembro de 2000, o que resultou numa fratura do fêmur. Ela foi internada na Santa Casa de Misericórdia e submetida a uma cirurgia na perna. Isabelinha teve uma recuperação considerada excelente, mas no dia de sua alta, foi detectada uma pneumonia, que a manteve internada por vários dias. Não resistindo a doença, ela faleceu. Segundo os médicos que acompanharam o seu quadro, Isabelinha morreu muito fraca, mas não perdeu a sua lucidez.

Isabelinha virou livro e música

Seu velório, na Igreja da Boa Morte, teve a participação de familiares e amigos, além de 90 cadetes da Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Isabelinha foi homenageada pela turma de formandos do ano de 1970, da EPCAr, com um quadro pintado pelo artista plástico Lourival Vargas e doado ao estabelecimento de ensino. A figura de Isabelinha e seu saudoso cachorro, chamado Nabão, salta do quadro como se estivesse se aproximando de nós, em seus passeios molhados pela madrugada. Isabelinha, com sua rica gramática, estava sempre presente a eventos, discursando e abençoando, disse o artista plástico.

Pouca gente sabe, mas a história de Isabel Vidal é rica de acontecimentos e fatos. Entre eles, está o seu parentesco com o inconfidente Domingos Vidigal. Com sua morte, o município perdeu um pouco de sua história, que tinha em ‘Isabelinha’ um referencial humano dos mais importantes.

Leia abaixo o texto de Ruth Esteves sobre Isabelinha

Continuando  “ A Loucura de todo Dia”,  hoje vou contar para vocês sobre uma pessoa que viveu aqui pelas ruas de minha cidade,  sua loucura por um amor perdido ainda na juventude e tendo seu nome ultrapassado muitas fronteiras.

Isabel Vidal, mais conhecida como Isabelinha, era filha única de um rico coronel da região,  teve uma educação esmerada, mas  se apaixonou por um cadete da Força Aérea Brasileira, e segundo contam, seu pai a impediu de viver este amor, proibindo seu casamento com o amado.

Exímia pianista, muito culta, ao  ficar orfã ainda jovem, veio para cá, onde morou perto da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) até morrer, muito velhinha. Contam que sua loucura veio daí, sozinha andava pelas ruas da cidade na esperança de um dia rever o amado. Seria bonito se não fosse trágico. O fato que durante toda a sua vida, Isabelinha perambulou pelas ladeiras íngremes  recitando seus poemas de amor , usando sua favorecida oratória e postura misteriosa chamando a atenção de todos que por ela passava. 

Era uma mulher pequena, magra, com longos cabelos brancos que se vestia sempre desconectada com a moda do dia. Me lembro dela usando um sapato de salto, meias grossas (uma  sempre escorrendo por uma perna), um casaco de veludo já surrado pelo tempo, uma bolsa pequena, pendurada elegantemente nos ombros, echarpes chamativas no pescoço, algumas vezes  até luvas. Sua boca carnuda chamava a atenção pintada de batom vermelho sangue, que se sobressaiam de sua face, já marcada pelas grossas sobrancelhas negras.  Atrás de si, sempre o velho amigo Rex, um cão vira-lata que pacientemente a seguia resignado com seu destino.

Isabelinha como ficou conhecida, passou a ser a musa da EPCAR, por nunca ter escondido sua paixão pela farda azul  dos cadetes que aqui passaram. Eles por sua vez, jovens distantes de suas famílias, encontraram nela os mimos de uma mãe extremada. Foi uma troca intrigante. Eles a protegiam e supriam suas necessidades e ela os cortejava e paparicava com seus carinhos.

Quando deparava em sua caminhada, com um cadete, recitava em alto e bom som seus poemas  terminando sempre com os dizeres: “ Lindos passarinhos, azuis da cor do céu, querem contribuir com os pobres… os pobres sou eu, que tanto os amo”. Daí trocava com eles uma divertida prosa, ganhava sempre os  trocados pedidos e seguia sua caminhada matinal em busca nunca se soube do que.

Recebeu todas as homenagens das turmas da EPCAR que aqui passaram e principalmente da escola. No comando existe uma tela a óleo pintada sobre encomenda que exprime todo o carinho que tiveram com ela, a transformando na eterna musa dos cadetes. Até hoje quando aqui retornam para comemorarem os aniversários de suas formaturas, colocam uma faixa em sua homenagem, com os dizeres que nunca esqueceram: “Lindos passarinhos, azuis da cor do céu… “

Na cidade ganhou o respeito dos barbacenenses ao usar de sua palavra, nos discursos, nos velórios importantes de políticos ou  de cidadãos renomados. Sua palavra era esperada como de uma carpideira. Assim viveu aqui, perambulando com sua passiva loucura até o fim de seus dias, falecendo assistida no hospital da EPCAR. Teve um enterro com honras militares e muitas lágrimas de pessoas, que só a entenderam quando a perderam. Até hoje é comum alguém ainda dizer: Coitada, morreu de amor!

Veja este vídeo disponível no Youtube, onde mostra Luiz Penna, entrevistando Isabelinha em 1991, no portão da sua casa no Bairro São José.

 
 

JÚLIO

Isabel Vidal também foi tema de uma música num festival realizado em Barbacena no mês de novembro de 1981. A canção ‘Isabelinha’ obteve o terceiro lugar no 1º Festival de Verão, com letra e música do compositor barrosense Júlio César, também falecido. Aliás, com essa mesma canção, Marquinhos Dutra, irmão de Júlio, ganhou muitos festivais na região. 

Veja a letra da canção e a interpretação de Marquinhos Dutra. Trecho do documentário da Uemg. 

1 comentário

  1. Olá! Bruno! Saudações!
    Que matéria bacana essa da “Isabelinha”.
    Fiz questão de lê-la todinha.
    E, ao final, que letra e música na voz inconfundível de Marquinhos Dultra.
    Luiz Diogo Sob

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