O Festival da Canção de Barroso, o nosso tradição Festican, é a voz que o tempo não cala. Apesar de uma população tão alheia à cultura, o evento resiste e permanece vivo em meio a Praça e ao frio, que só o calor humano destes músicos e amantes da música podem combater. Não há agasalho que nos conforte, mas há cultura que aquece e ameniza. E não se trata apenas do cumprimento de um calendário de eventos; é a prova viva de que a arte e a canção autoral têm raízes profundas na alma barrosense, resistindo ao imediatismo dos algoritmos e à pressa dos tempos modernos. Sem essa de artificial, aqui, em meio ao frio, o natural, tem a nota 10 da população. E para compreender o valor do Festican é preciso olhar pelo retrovisor da história. Nascido em 1979, em plena efervescência dos festivais que desafiavam o silêncio da ditadura militar, o evento começou pela ousadia de estudantes do terceiro ano do Centro Cívico. De lá para cá, mais de quatro décadas se passaram. O festival mudou de “donos”, peregrinou por diferentes palcos, mas nunca perdeu sua essência: dar palco ao que urge ser dito e cantado.
O Festican é o fio condutor que une o passado e o futuro. É o espaço onde reverenciamos a memória e o legado de talentos inesquecíveis da nossa terra, como os irmãos Marquinhos e Júlio Dutra, e onde abrimos os braços para compositores de todos os cantos do Brasil — de Minas ao Rio de Janeiro, do Espírito Santo ao Nordeste. Portanto, à beira do 50 anos e da 40ª edição, palmas, mesmo que frio e de luvas, para o Festican. Em um mundo onde a música muitas vezes é reduzida a coreografias de poucos segundos para redes sociais, manter de pé um festival de música autoral, com arranjos vivos e letras que provocam a reflexão, é um ato de coragem política e poética. Parabéns a todos os prefeitos que deram continuidade ao Festival. Resista Festican, a cultura respira em Barroso. Vida longa ao Festican!

