Barroso vive um paradoxo perigoso. Com uma população que hoje orbita os cerca de 20 mil habitantes, a cidade assistiu a uma explosão demográfica e econômica nas últimas décadas que, infelizmente, não foi acompanhada pela infraestrutura urbana. O resultado é um cenário assustador e silencioso em nossas ruas: o triplo de veículos disputando o mesmo traçado asfáltico da década de 80. A região central de Barroso é o retrato fiel desse descompasso. Enquanto as garagens e pátios das empresas se encheram de novos carros e motocicletas, as nossas ruas permanecem com a mesma largura e configuração de quarenta anos atrás. O que era um trânsito pacato e previsível tornou-se um labirinto de retenções, impaciência e, fatalmente, imprudência. O crescimento popular é um sinal de vitalidade, mas sem o devido planejamento estrutural, ele se torna um peso. A cidade “esticou” em número de pessoas, mas o coração urbano de Barroso permanece apertado, sufocado por um volume de tráfego para o qual nunca foi projetado.
O ponto mais crítico e doloroso desta realidade é a vitimização constante de nossos motociclistas. Não se trata mais apenas de estatísticas frias; são vizinhos, amigos e jovens que estão perdendo a vida ou sofrendo sequelas irreversíveis dentro do perímetro urbano. A agilidade das motos, que deveria ser uma solução de mobilidade, tornou-se um fator de risco em um ambiente conturbado onde a intolerância é o carro-chefe deste confronto. É urgente repensar a logística do trânsito e investir em sinalização moderna, redutores de velocidade estratégicos e, se necessário, mudanças drásticas no sentido das vias para desafogar os pontos críticos. Mas atenção, nada, nada adianta se não houver, por parte do motorista a consciência e a tolerância na direção. A cortesia e a direção defensiva precisam ser a regra. Trânsito seguro se faz com planejamento e consciência. O tempo de Barroso é agora, mas além das mudanças e correções é preciso ter muita prudência.
por Bruno Ferreira

