Não existe época melhor para se falar de música em Barroso do que esta. Época de Festival Cultural, Festa de Sant’Ana, Festican. E como falar de som na cidade sem se lembrar de José Furtado? Nascido em Barroso, no dia 12 de junho de 1953 (dia dos namorados, como faz questão de lembrar), ele é conhecido em toda a região pelo seu trabalho com sonorização e como “DJ” nos bailes, onde faz questão de ainda usar o bom e velho disco de vinil. A enorme coleção, que conta hoje com mais de 3 mil discos de vinil, começou há quase 50 anos quando, em 1966, o jovem Zé Furtado entrou na Loja Kennedy, antiga loja do Fiot, que funcionava onde hoje é o Gambá. Lá, em meio a centenas de discos, escolheu o LP do Roberto Carlos, símbolo da Jovem Guarda.
Aos 14 anos, Zé Furtado teve sua primeira experiência como músico, na Banda Municipal de Barroso, onde tocava clarineta. Mas quando um novo maestro assumiu, em plena Ditadura Militar, e exigiu que ele cortasse os longos cabelos para vestir o novo uniforme, o garoto resolveu sair. Em junho de 1970 foi chamado para tocar baixo na banda Os Marcianos, que na primeira formação tinha João Bochecha, Tas, Sérgio Mayrink e Tal. O baixista ficou por cinco anos na banda. E o que eles tocavam? “Rock. Rock mesmo. Bolero nenhum. Antigamente, quando falavam em bolero com a gente, era tiro no pé, era careta. Hoje em dia tudo está na moda. Sertanejo então só se tocava de madrugada na rádio. Tudo muda”, comenta. Depois de Os Marcianos, José Furtado parou por um tempo, começou a trabalhar, casou, mas ele não sairia do mundo da música tão fácil. “Aí comecei a mexer com som. O Júlio me chamou pra gente começar a fazer uns bailezinhos. Começamos a fazer no Bandeirantes, numa sala de aula, e deu certo. Pegamos a Cabana e ficamos três anos. Nunca mais trabalhei de empregado. Fazia até baile de formatura, baile de desfile no Clube Recreativo. Pegava minha Kombi, levava o som e viajava a região toda fazendo baile”.
José Furtado continua trabalhando com som e, claro, com seus adorados bailes. “Eu sou radical. Até hoje eu só faço baile com LP. Eu tenho pen drive, CD, essas coisas todas, mas eu gosto de fazer meus bailes no original. É diferente. Quando eu estou fazendo baile, o pessoal mais novo vai lá e fica olhando os discos. E tem gente que não acredita. Fala ‘mas isso não é pen drive não?’. É pen velho mesmo”, brinca José Furtado. Hoje, aos 62 anos, com cinco filhos e cinco netos, quem pensa que José Furtado já sossegou está muito enganado. Para relembrar os velhos tempos, há cerca de cinco anos, ele e outros integrantes de bandas barrosenses da década de 70 se reúnem. Desses encontros, surgiu a banda Projeto 70, com Zé Furtado reencontrando o baixo. O grupo tem ainda Tal, Moisés, Sérgio Mayrink, Zé Maria e Emílio, o mais novo da banda. “Já falei que, quando a gente for tocar, é pra ele passar talco na cabeça pra não ficar desigual”. Para os fãs da Jovem Guarda, música dos anos 70 e do bom e velho rock ‘n’ roll, prepararem-se. Em agosto o Projeto 70 vai começar!



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