UM ANO DEPOIS: BARROSENSE RELEMBRA 7A1 DA ALEMANHA
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Terça-feira, 8 de julho de 2014, Belo Horizonte, Mineirão, cinco horas da tarde. Esta é a data, local e hora da maior tragédia do futebol brasileiro. O dia que a Seleção Brasileira foi goleada pela Alemanha por 7 a 1 em plena Copa do Mundo disputada no Brasil. Um dia para ser esquecido! Talvez para os milhões de brasileiros que acompanhavam pela televisão, rádio e internet, mas para quem viveu, estava no Mineirão naquela tarde fatídica, esquecer pode ser um exercício mais difícil.
No dia em que completa um ano, 8 de julho de 2015, da maior vergonha do nosso futebol, o Barroso EM DIA foi ouvir quem estava lá dentro, há menos de 50 metros do gol do goleiro Júlio César, por onde passaram cinco bolas da Alemanha só no primeiro tempo.
O barrosense e a esposa Julia“Ficamos bem atrás do gol do Julio César. Ou seja, vimos bem de perto aquela catástrofe que aconteceu durante o primeiro tempo da partida. O primeiro sentimento foi descrença. Parecia que aquilo não era verdade. Aquela piada “fui ao banheiro fazer xixi e quando voltei, mais um gol da Alemanha” aconteceu comigo de verdade. Depois que percebi que aquilo era tudo real o sentimento foi de frustração misturado com um pouco de vergonha. Olhava para o lado e via pessoas chorando muito. Crianças e mulheres em sua maioria. Os homens não esboçavam reação alguma”, diz Max Miller Ladeira, 38, o barrosense que mora em Belo Horizonte, casado com Julia Paranhos, que estava atrás do gol do arqueiro brasileiro.
Max, que tem um restaurante em uma área nobre de BH, foi contemplado em um sorteio realizado, entre donos de estabelecimentos da cidade, pela Visa, bandeira de cartões de crédito. Ele ganhou um par de ingressos para o jogo, além de outros brindes. “Tive uma oferta de R$14 mil pelo par de ingressos. Como enrolei para vender, acabei indo com minha esposa”, diz Max que, como milhões de brasileiros, acreditava na vitória do Brasil frente a Alemanha.
Mas o que era para ser festa se tornou um pesadelo. Um ano depois e aquele dia trágico ainda está vivo na memória de muitos amantes do futebol. “Ficamos até o final. Minha esposa dizia que ainda tinha esperança e eu retrucava: não sabe nada de futebol, coitada”, brinca Max quando relembra detalhadamente aquela tarde.
“Não senti raiva nas pessoas, mas sim um temor. A cada gol da Alemanha, ouvia pessoas clamando por Deus, santos e tudo mais que a fé tenta buscar. Somente ao final, quanto percebemos que não tinha mais jeito, ai sim começaram as vais e os gritos de ordem política”, pontua o barrosense que declara também que se tivesse a oportunidade faria tudo ao contrário. “Para mim a seleção perdeu toda credibilidade. Não sinto mais aquela emoção em acompanhar, curtir, vibrar. Fosse hoje com um ingresso desse porte nas mãos, não recusaria a primeira e qualquer oferta que aparecesse. E daria ainda um conselho ao infeliz que comprasse: Não se empolgue demais, viu?”, diz.
O certo é que independente da opinião e visão de todos aqueles que ainda acreditam que moram no pais do futebol, aquela Terça Negra serviu de lição para o futebol brasileiro. Um ano depois, em meio a um turbilhão de problemas que o futebol mundial enfrenta, o Brasil ainda continua cometendo, dentro e fora dos gramados, os mesmos erros daquele dia fatídico e os gols da Alemanha continuam acontecendo 8 a 1, 9 a 1, 10 a 1…
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