Compartilhe:

A reportagem do Barroso EM DIA levantou com exclusividade que Frederico Pacheco de Medeiros, que é primo de Aécio Neves e foi preso na quinta-feira, 18 de maio, em sua casa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é sócio da empresa Rádio Liberdade de Barroso.

Fred, como ficou conhecido na delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, é sócio da empresa barrosense que responde pelo CNPJ 01.889.020/0001-28. A Rádio Liberdade de Barroso, fundada em 09 de abril de 1997, está registrada no Cartório de Registros de Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas, em Barbacena. Consta na repartição, o Contrato Social da empresa no arquivo com o número 4.223.97. Nele, Frederico aparece atualmente como sócio majoritário da empresa, com 51% dos direitos econômicos.

Segundo consulta na Receita Federal, o CNPJ da Empresa, que não existe fisicamente na cidade, mas foi registrada no endereço Praça Sant´Ana, 34, centro, onde funcionava a antiga Cabana, continua ativo há cerca de 20 anos. Frederico ainda aparece como sócio de mais nove empresas no estado de Minas Gerais, entre elas, uma outra de comunicação, na capital, ao lado da irmã de Aécio, Andrea Neves, que também foi presa na Lava Jato. Segundo o site consultasocio.com, o capital social das empresas, incluindo a de Barroso, é de R$ 7.568.000,00. A primeira sociedade de Fred foi firmada em 10/11/1995 e, logo após, a segunda, a empresa Rádio Liberdade de Barroso – ME, com capital avaliado em R$60 mil.

 

cnpj radio

 

ASBAR

Apesar da Micro Empresa do braço direito de Aécio Neves ter o mesmo nome e o mesmo local onde a Rádio Comunitária da cidade iniciou seus trabalhos em 2002, Praça Sant´Ana, 34 – centro – antiga Cabana, os CNPJs, da tal empresa e da Associação, são diferentes. A rádio local, que também tem nome de Rádio Liberdade FM, responde pelo CNPJ 26.130.393/0001-41 da ASBAR (Associação Comunitária de Desenvolvimento Social de Barroso). Diante das evidências e coincidências, nome e endereço das emissoras, o Barroso EM DIA entrou em contato com a associação barrosense que tem a emissora Liberdade FM, em plena atividade na cidade. A reportagem ouviu o diretor da rádio, Eduardo Ferrarezzi, para saber se ele havia o interesse de se manifestar sobre a coincidência.

“Estou surpreso diante desse fato, confesso que até
curioso para saber o desfecho disso, mas o que sei é que
não temos nenhuma ligação com essa tal empresa,
aliás, procurarei o advogado da emissora para que
ele imediatamente veja quais medidas
devem ser tomadas diantes desse fato.
A Rádio Liberdade é uma emissora da Associação Comunitária de
Desenvolvimento Social de Barroso, ASBAR.
Associação essa que teve sua fundação no ano de 1993, e a
Rádio está no ar desde 2002, e vem prestando um
serviço de utilidade pública e entreterimento, fazendo o seu papel
dia a dia, ao lado da família barrosense”.

Eduardo Ferrarezzi
Diretor da ASBAR

primomorer

FREDERICO

Pelas gravações divulgadas pela Operação Patmos, da Polícia Federal, Frederico Pacheco de Medeiros foi o homem responsável pela mala com dinheiro que apareceu através do pedido de Aécio Neves a Joesley Batista, como está gravado. O nome de Fred inclusive aparece quando Aécio faz relação à delação. “Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação”, disse o tucano; depois, Aécio diz: “Vai ser o Fred, com um cara seu [Joesley]. Em seu cur- rículo, desde 2003, Fred acumula diversas passagens por cargos públicos. Em janeiro de 2003, foi nomeado como secretário adjunto do governo mineiro de Aécio Neves. Em 2011, quando Antonio Anastasia assumiu o governo com apoio de Aécio Neves, Fred foi nomeado diretor de Gestão Empresarial da Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig).

POST

O pai de Fred, o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Lauro Pacheco de Medeiros Filho, fez um post logo que seu filho foi preso. Confira: “Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar, não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ‘um mínimo de cerimônia com os escrúpulos’. Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício que disputou de Presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada”. O desembargador foi procurado pela reportagem para comentar sobre a empresa, mas não respondeu às perguntas.

SOCIEDADE

Outros três barrosenses, através de consulta pela internet no site consultasocio.com, aparecem na relação da empresa. São eles: sócia-administradora Silvia Lúcia Reis Napoleão, esposa do presidente da Câmara Municipal de Barroso, Baldonedo Arthur Napoleão, o saudoso ex-prefeito Arnaud Baldonero Napoleão e o ex-vereador de Barroso Antônio Maria Claret de Souza, o Tonho.

Todos filiados ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) na cidade, mesmo grupo que estava no poder no final da década de 90 e início dos anos 2000, data de fundação da rádio e inauguração da emissora da Associação. Fernando Henrique Cardoso era Presidente do Brasil, Pimenta da Veiga, Ministro das Telecomunicações e Aécio Neves Presidente da Câmara dos Deputados.

A reportagem entrou em contato com cada um deles para saber mais detalhes sobre a empresa e a sociedade com o primo de Aécio que está preso na Operação da Lava Jato.

O ex-vereador Tonho declarou que colaborou para a fundação da rádio há 20 anos, mas não se lembra mais dos detalhes do processo, que teve a liderança do saudoso Arnô. “Certamente a empresa Rádio Liberdade foi uma tentativa pelo lado comercial, mas o caminho para o sucesso, como sabemos, foi mesmo a Associação. Agradeço ao jornal pela informação. Seria bacana uma reportagem sobre a história do Rádio em Barroso, mostrando tanto as tentativas frustradas como as que deram certo”, declara Tonho.

Já o ex-prefeito Baldonedo, que falou em nome da esposa e do falecido irmão, declarou que os mesmos não têm nenhum relacionamento com Frederico. “Apenas o conhecemos como assessor do Aécio há muitos anos. Ele entrou como sócio da empresa porque nossa intenção era, na época, termos uma parceria com o Aécio, meu companheiro de dobradinha na região nas eleições de 94 e 98. Quanto à questão do CNPJ, constatei que, de fato, nos esquecemos de dar baixa, já que a empresa nunca funcionou e nunca teve movimentação financeira. Aproveitando que vocês levantaram esta questão, já estamos providenciando a baixa definitiva do CNPJ na Receita Federal”, declara.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *