A centenária Banda de Música Municipal de Barroso, onde nomes como Dezinho, Baiano e Elton esbanjam seus talentos, deve estar sentido falta de um músico mineiro que há algum tempo se aventurou para a terra de todos os santos. Aliás, são mais de 24 anos de saudade que batem, como os tambores da Bahia, no coração dos amigos, sejam eles da Banda, das pescarias ou do antigo Grupo da Fábrica, onde o bar- rosense Ivan Jacinto dos Santos, hoje com 44 anos, iniciou seus estudos.
Filho do saudoso casal, Senhor Genésio e Dona Ninfa, o mineiro mais baiano, ou o baiano mais mineiro que os barrosenses conhecem, passou por São Paulo, Juiz de Fora e aterrissou na terra de Gil e Caetano, onde vive com a também barrosense Joana Darc Silva, o filho juiz-forano Isaac, de 17 anos, e a filha, de 12, a baiana Esther. Mas mesmo ao lado da família, Ivan não consegue e não deve esquecer os familiares que vivem entre Barroso e outras cidades deste Brasil. Seja do Tio Roque, no São José, onde nasceu no começo da década de 70, das irmãs Dulce, Maria e Lenice, ou até mesmo dos amigos de Festivais da Canção e das cantigas nos casamentos, Ivan sempre, de alguma forma, estará presente na memória de todos que sentem sua ausência.

E não são poucos. Dentro de um período ditatorial, vivido pelos brasileiros, e sua consequente vinda ao mundo na polêmica geração dos anos dourados, Ivan desfrutou do bairro e das amizades que, segundo ele, por lá ficaram e sempre ficarão, seja nas lembranças e histórias de crianças, ou na adolescência e juventude de cada esquina da Barroso que ele morre de saudades. E os nomes da infância vivida intensamente também foram para a Bahia, bem na bagagem da memória do barrosense, que faz questão de relembrar figuras como Sidinho, Dé da Chica, Boi da Nina, Dedei, Valdinei, César, Alan do Tomás, Chumanguinho, Luis, Alexandre Bananeira, Tonhá, Sérgio e Célio Murilo que, de acordo com ele, foi um amigão de muitas histórias.
E se tem algo que Ivan colecionou foram histórias e amizades. Aluno do Francisco Antônio Pires, o FAPI, Ivan tinha ao seu lado nomes como Maximiliano, Guina, Wanderly Barros,

Walderson, Cláudio do Birro, Shirlei, Andreliane, Mariza, Adriana, Ederson, Andreia, Jacélia e tantos outros que partiram mais cedo ou se perderam e encontraram por outros caminhos.
Este é Ivan, aquele que você não sabia por onde andava, mas que nós fizemos questão de encontrar, mesmo longe, para contar ao mundo que o menino que outro dia entregava doces e arrancava gramas como funcionário público, cresceu, tomou rumo da Bahia e hoje é engenheiro eletricista e trabalha na área de Engenharia de Manutenção da Ford.
E quando a profissão dá um tempo, o barrosense, que também ensinava música aos jovens, corre para os braços da terrinha. Aqui, entre uma cervejinha e umas boas risadas ao lado dos cunhados e eternos amigos, se mune de anzóis e varas e embarca na pescaria que de alguma forma traz de volta as lembranças daquela Barroso para onde um dia, quando aposentar, quer voltar.
Exato, para o próprio bairro onde nasceu e foi criado, o engenheiro planeja o futuro. E com o consentimento da esposa, traça planos de deixar, apesar dos pesares, o mar e retornar à terra natal, onde assim como na sua época, quando tocava nas Semanas Santas, ainda encanta quem chega, quem parte e quem pode retornar.
Não demore, Ivan. Inúmeros corações pulsam e contam o compasso pelo seu regresso.

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