. Exaustivamente, os dedos calejados do assunto percorrem o teclado e desmancham sobre as páginas dos jornais a mágoa embutida entre o ontem e o hoje. O ontem de um interior em paz e um hoje ensurdecedor que ecoa tiros e gritos à luz do dia, em um mês que era para ser de festa e de fé, e, embaixo do olho, no nosso nariz, na nossa cara, essa que não cansa de pedir paz. E a quem mais recorrer? Se ontem as próprias autoridades nos disseram que um Pelotão era suficiente e na verdade uma Companhia ainda é pouco. Quem? Olhai por nós, à luz do dia, entre festas que pregam fé e homens que carregam ódio. Olhai por nós. Seja santo ou não, seja católico ou não, mas seja crédulo para entender que não temos mais a quem recorrer. Já vivemos entre manchetes de sangue, e pior, nos acostumados a elas, e já não temos mais a quem suplicar.
Deus, aquele de qualquer um, mesmo daqueles que não creem, prolifere em nós paz de espírito e amor entre os povos que contavam histórias nas mesmas esquinas que hoje matam à luz do dia e no mês da Padroeira, no manto dela. Sem piedade, sem dó. Quem? Se as folhas que traziam conquistas estão impregnadas com desavenças, queimas, estupros e uma mediocridade instaurada nos seres humanos, que de interioranos não carregam mais nada, nem mesmo o amor de ontem, que conflita com o ódio de hoje e a incerteza do amanhã. Não está difícil, está impossível. Já não se tem mais controle, está descontrolada a violência escancarada do interior. Chato e repetitivo? Sim. Seremos até que alguém, quem? Olhe por nós. Já não somos mais aquela imagem de uma máquina que soltava fumaça e apitava entre casas e sorrisos amigáveis. Hoje somos ódio, medo e páginas esperando mais sangue. Forte? Dói? Sensacionalista? Exagero? Nada disso, até que alguém olhe por nós e respeite a fé e os santos, mesmo que não creiam neles. Amém!
Por Bruno Ferreira
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