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Quando pisei aquele chão, ergui minha cabeça, engoli o seco, abaixei e ergui novamente, me perdi entre os risos engasgados. Tentei soltar os lábios, piscar os olhos, ranger os dentes, achar lugar no sofá, enxugar as mãos tensas na própria camisa, coçar a testa, olhar e respirar ao mesmo tempo e, enfim, por frações de segundos, descobri que tive a vontade de gritar: Onde está Deus em uma hora dessas?

Talvez porque nessas horas seja mais fácil perguntar que tentar achar respostas. E não adianta, a gente se põe a perguntar! Quando nossos olhos cruzam com a vida em sua fórmula e realidade, a gente não consegue se opor e fixa em questionar: Onde está Deus em uma hora dessas? E é difícil aceitar qualquer resposta, de qualquer ser humano que queira tentar explicar onde Deus está em uma hora dessas! E tudo isso porque a gente não quer respostas, a gente não quer ouvir, a gente prontamente só quer questionar: Onde está Deus em uma hora dessas? E ponto, pronto.

Mas mesmo que os olhos queiram fechar e perguntar novamente, a mente se abre, a fé invade e a resposta surge por trás de um sorriso verdadeiro: estou aqui. É quando a gente começa, de fato, a olhar e a visualizar. E descobre que não precisa ir longe, não precisa estudo, dinheiro, cor, não necessita de credo, enfim, é como se fosse fato e é. E não poderia ser diferente, ele não estaria longe e nunca estará.

Durante todos aqueles longos segundos Deus estava ali, na nossa frente, entre aqueles mesmos sorrisos engasgados, naquele olhar precoce e inocente, naquela fé que vive entorno da vida, naquele exemplo, naquela história. É exatamente lá onde Deus está. Justamente ali, te mostrando que está presente e repito: sempre estará. Em milésimos a razão da pergunta se transforma em resposta. Se adentrei sem saber onde Deus estava, fui embora com ele, do meu lado, na minha mente, na minha frente.

Mais uma lição, mais um dia, mais uma explicação. E não tem nada a ver com religião, A ou B, C ou D, tem a ver com fé, com ver, crer e sentir, mesmo que não dê para tocar. A vida te prega peças e viver é aprender, mesmo que para isso você tenha que questionar: Onde está Deus em uma hora dessas? Acredite: ele vai aparecer, de alguma forma e em algum lugar. Dessa vez ele veio brincar de fraudar olhos, bocas e narizes, sorriu, comeu bombons, desfilou roupas, vestiu gorro, posou para fotos e se esvaiu por trás de um sorriso sincero e puro, que hoje eu chamo de Anjo. Um Anjo que roubou, como rouba de todo mundo, um pedaço do meu coração.

 

Por Bruno Ferreira

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