Usar a internet para descrever o termo voluntário não combina com nossa personagem, que nasceu na década de 30, quando nem computadores, muito menos redes sociais, imaginavam existir. Mas definir Grazia Carbonaro Meireles como voluntariada de verdade e de fato nenhum aparelho informatizado, seja computador, telefone celular ou tablet, conseguiria com tanta precisão como sua história voltada ao voluntariado.
Aliás, uma ação em escassez nos dias atuais, em que a correria do mundo, cada vez mais capitalista, nos impede de conjugar o verbo ajudar. Mas essa ação, do chamado terceiro setor, tem a ver com hereditariedade. Grazia, ou Dina, como é carinhosamente conhecida, herdou dos seus pais Humberto Carbonaro e Rita de Matos Carbonaro o dom de contribuir. Prestes a completar 84 anos de idade no próximo mês, Dina acrescentou Gustavo em sua vida, no começo da década de 50, e passou a ser a Dina do Gustavo, Gustavo Meireles. Em uma vida pautada pelo altruísmo, teve cinco filhos, oito netos e três bisnetos e talvez já tenha ensinado às pessoas de seu convívio a maior das lições: ajudar, pois desde criança se dedicou às festas da Padroeira Sant’Ana, ajudou nos carnavais, mesmo sem gostar, na confecção dos uniformes dos times de futebol da cidade e foi atriz nos palcos do Teatro João Macedo Couto.
Mas talvez a maior ação desta senhora, que ainda tem o hábito de ler, tenha sido a criação do grupo de voluntárias do Instituto Nossa Senhora do Carmo, do qual ela foi co-fundadora e, acreditem, participa até hoje. Aliás, do grupo fundador da Instituição, somente Dina e Terezinha (Rei Supermercado) ainda estão vivas, participando ativamente. Portanto, quando adentrar o Instituto, em meio àquela correria, às críticas e aos problemas diários, lembre-se de que anos atrás, alguém, de muita fibra, se uniu a algumas amigas e, mesmo sem ganhar nada, se propôs a deixar essa herança para o povo barrosense.
Mesmo fora de moda, nem última, nem primeira, em meio a um turbilhão de evolução e problemas, na sua casa, no seu jeito sereno, Dina, mesmo que longe dos holofotes, continua ajudando, de alguma forma, mesmo que a si mesmo entre os prazeres da vida, nos seus trabalhos manuais, bordados, crochet e culinária. E essa é Dina, que com uma bagagem repleta de caráter, educação e trabalho voluntário, ainda acha um tempinho para fazer parte da história escrita, nas páginas dos jornais que futuramente seus netos colocarão nas mãos e lembrarão que alguém, bem próximo, fez história ajudando, sem ganhar. Fez por fazer, por prazer. Verbo tão distante nos dias atuais.


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