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Ponte Nova (6)As condições da BR265 têm sido assunto recorrente do Barroso EM DIA. Ainda no último número duas reportagens sobre o tema ocuparam praticamente metade da página 4 do jornal. A hoje BR265, quando foi inaugurada em meados de 1960, chamava-se MG60 e substituiu a antiga estrada de chão que ligava Barbacena a São João del Rei. O projeto da rodovia é do começo da década de 1950, quando as populações das duas cidades acima eram menos da metade das atuais. A fábrica de cimento Barroso, maior indústria dos Campos das Vertentes, tinha apenas dois fornos de clínquer, cada um com capacidade diária de produção de 250 t. Só em 1962 entrou em funcionamento o terceiro forno, com capacidade diária nominal de 500 t de clínquer (esses 3 fornos foram demolidos no final da década de 1990). Na década de 1950, quando foi projetada e construída a MG60, caminhão com capacidade para transportar até 10t era coisa rara. Os ônibus na linha de Juiz de Fora-São João transportavam pouco mais de 30 passageiros sentados, podendo levar mais uns 10 em pé. Dentro das condições industriais e comerciais da época, é pouco provável que os projetistas e construtores da estrada, cujo traçado hoje pouco difere do inicial, tivessem bola de cristal   para projetar pontes com estruturas para suportar, HOJE, carretas e bi-trens com cargas superiores a 70 t, que trafegam no trecho entre Barbacena e Lavras (o trecho de São João a Lavras foi construído na segunda metade da década de 1960, após o que a MG60 se tornou BR265).

A BR265 é altamente estratégica para a Região Sudeste, já que é a principal interligação entre duas das mais importantes rodovias nacionais, as BR040 e BR381, a primeira do Rio a Brasília e a segunda de São Paulo a BH. A reportagem, assinada por Maria Cecília, registra a existência de corrosão na estrutura da ponte sobre o Rio das Mortes. Será que as pontes da mesma idade, sobre o córrego do Caieiro e sobre o Rio Elvas, não estão também com estruturas corroídas? Se qualquer dessas tiver que ser interditada, que alternativas o DNIT poderá oferecer para o fluxo de trânsito na rodovia. O Engenheiro Edson Vander Mendes Ruffo, supervisor local do DNIT, teria afirmado que “uma empresa será contratada para detalhar os tipos de intervenções que a BR265 precisa”. Até que tais detalhes sejam projetados, as obras licitadas e realizadas, é possível que ainda decorram alguns anos, como é comum acontecer no Brasil da “buRRocracia”. Enquanto isso as deteriorações das estruturas das pontes irão se agravando até que alguma delas caia e ocorra o colapso do trânsito entre Barbacena e Lavras. Quem, nesta hipótese, será o responsável pelos prejuízos para a economia regional? Prefeitos da região, unam-se e “ponham a boca no trombone”, pressionando o DNIT para que, enquanto é tempo, tome medidas preventivas.

 

Por Paulo Terra 

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