A Mostra de Cinema de Tiradentes chega à maioridade. Em sua 18ª edição, com início nesta sexta-feira (23) na cidade histórica mineira, o festival evoluiu junto com o cinema brasileiro, ajudando a consolidar uma produção que, na década de 90, não passava da casa de uma dezena, após a extinção da estatal Embrafilme.
“Nesse percurso, testemunhamos as mudanças sofridas pelo audiovisual. Quase 20 anos depois, chegamos a um momento de reflexão mais profunda sobre o lugar do cinema hoje”, destaca Raquel Hallak, que coordena a Mostra desde de sua criação, ao lado de Fernanda Hallak e Quintino Vargas.
“Qual é o lugar do cinema hoje?” é o tema central dessa edição, que contará com 128 filmes nacionais – 37 longas-metragens e 91 curtas – distribuídos em 59 sessões e três espaços (Cine-Tenda, Cine-Praça e Centro Cultural Yves Alves). Para forrar essa discussão, estão programados 27 debates.
O crescimento da produção brasileira, com a criação de uma política para o setor, está fortemente ligado à Mostra. A Agência Nacional de Cinema (Ancine), que regular e fiscaliza o mercado cinematográfico, teve seu embrião na pequena cidade da região do Campo das Vertentes. “Também vimos nascer aqui a criação dos coletivos de cinema e ajudamos a fomentar o diálogo internacional”, registra Raquel.
Cena Independente
Também por ali passaram as reflexões sobre o fim das fronteiras de gênero e, fundamentalmente, a abertura para um cinema que “não chega a todos os públicos”. É como Raquel define os filmes de baixíssimo orçamento que transformaram a Mostra na principal plataforma do cinema independente.
“Embora estados como Ceará e Pernambuco já contassem com uma política pública de incentivo, Tiradentes acolheu essa produção, acreditando nesses novos talentos, muitas vezes dando maior importância a esse cenário do que aos filmes em si”, assinala. Uma prova disso é a Mostra Aurora, criada há 8 anos, em que só concorrem obras de diretores com até três longas no currículo.
Atriz Dira Paes é a homenageada deste ano
Com 30 anos de carreira, a atriz paraense Dira Paes é a grande homenageada da Mostra de Tiradentes. Ela estará presente à solenidade de abertura, a partir das 21h, no Cine-Tenda, e acompanhará a exibição do inédito “Órfãos do Eldorado”, de Guilherme Coelho.
“É uma homenagem bastante especial a uma atriz que tem uma história marcante na Mostra. Ele esteve presente em várias edições, pessoalmente e nas telas, já que participou de 40 longas-metragens”, salienta Raquel Hallak.
A coordenadora lembra que, quando o cinema brasileiro tinha poucos filmes para exibir, ela já estava trabalhando em vários deles. “Mesmo com o sucesso da TV, ela nunca largou o cinema independente, mostrando uma carreira constante, coerente e admirável”.
Além de “Órfãos do Eldorado”, serão apresentados, da lavra de Dira, trabalhos premiados como “Corisco e Dadá” (1996), de Rosemberg Cariry, em que faz uma cangaceira do grupo de Lampião; “Amarelo Manga” (2002), de Cláudio Assis, no papel de uma evangélica; e o infantil “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton.
A carreira da empregada Solineuza, da série “A Diarista”, que foi ao ar entre 2003 e 2007, será discutida numa conversa aberta ao público, neste sábado (24), de 12h15 às 13h30, no Centro Cultural Yves Alves.
Haverá debate também sobre os vários filmes da programação, sempre no dia seguinte à exibição. À mesa estarão os realizadores e um crítico convidado, aberto a perguntas do público.
O dia de encerramento, no dia 31, será especial para os mineiros, com a apresentação de “Ela Volta na Quinta”, de André Novais Oliveira, às 20h, no Cine-Tenda, e “Deserto Azul”, de Éder Santos, às 21h30, no Cine-Praça.
A principal sessão é a Aurora, em que os concorrentes disputam o prêmio do Júri da Crítica e o Prêmio Itamaraty, no valor de R$ 50 mil. São sete títulos oriundos de Rio de Janeiro, Maranhão, Espírito Santo, Ceará e Distrito Federal. O mesmo júri também premiará os curtas da Mostra Foco.
Programação:
23/01
Fique de olho:
Exibição de “Órfãos do Eldorado” (21h, Cine-Tenda)
Baseado em livro de Milton Hatoum, tem no elenco o miniero Daniel de Oliveira, que faz um herdeiro dos antigos barões da borracha que é expulso de onde mora após ter uma relação incestuosa com a irmã.
24/01
Programa macabro:
Exibição de “As Fábulas Negras” (0h30, Cine-Tenda)
Reunião de quatro importantes nomes do cinema de terror nacional, entre eles José Mojica Marins, criador do Zé do Caixão que assina o episódio “O Saci”
25/01
Para os atleticanos:
Exibição de “O dia do galo” (21h, na Praça)
Filme acompanha várias pessoas no dia da final da Copa Libertadores de 2013, quando o Atlético foi campeão do torneio ao derrotar o Olímpia
26/01
Na trilha do cinema:
Show de The Rubens Ewald Filho Band (0h30, Cine-Lounge)
Crítico de cinema e comentarista nas transmissões do Oscar, Rubens Ewald Filho virou nome de uma banda cover e performática dedicada a trilhas de filmes e clássicos do karaokê
27/01
Dançante:
Exibição de “Sem Título # 1: Dance of Leitfossil” (17h, Cine-Teatro)
O curta-metragem de Carlos Adriano exibe uma improvável e contagiante combinação entre cenas de Fred Astaire e Ginger Rogers e um fado cantado por Ana Moura
28/01
Para pensar:
Exibição de “Brasil S/A” (18h, Cine-Tenda)
Crítica irônica à classe média brasileira que não abre mão de consumir, ainda que tenha que dirigir seu carro em cima de uma cegonheira
29/01
Política:
Debate
“Trânsito nas Telas” (15h, Cine-Teatro)
Os diretores Juliana Rojas, José Luiz Alvarenga Jr. e Marcos Bernstein conversam sobr o trânsito entre o cinema e a TV
30/01
Crianças grandes e pequenas:
Exibição de “O Menino e o Mundo” (14h30, Cine-Tenda)
Vencedor do Festival de Annecy, na França, o maior prêmio da animação mundial, acompanha um menino que descobre sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas
31/01
Experimentar:
Exibição de “Deserto Azul” (21h30, na Praça)
O longa-metragem do diretor mineiro Éder Santos traz uma história futurista sobre a busca de um homem para tentar entender o propósito da vida
Informações Hoje em dia

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