No último dia 10 de dezembro, foi entregue à Presidente Dilma Rousseff (PT), o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que responsabilizou 377 pessoas pelas violações de direitos humanos durante a ditadura, inclusive os presidentes do Regime Militar. A violação dos direitos humanos foi considerada uma política de Estado na época. A Comissão, que funcionou durante dois anos e sete meses, ouviu cerca de mil testemunhas sobre processos envolvendo mortes, tortura e prisões na ditadura militar (1964-1985). O relatório conclui que as violações aos direitos humanos foram uma política de Estado para aniquilar a oposição. E aponta os autores destes atos.
Entre os 377 nomes, todos os presidentes do Regime Militar são citados: Humberto Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo. Foram identificados 191 mortos e 243 desaparecidos. O relatório foi entregue à presidente Dilma na presença de parentes das vítimas do Regime Militar.
Castelo Branco (1964-1967), Marechal de Exército, foi o primeiro presidente da República após o golpe militar, entre 15 de abril de 1964 e 15 de março de 1967. Segundo o relatório da Comissão da Verdade, criou o Serviço Nacional de Informações (SNI). Em Barroso, existe uma estátua em bronze na Praça Sant´ Ana, que foi inaugurada em 06 de dezembro de 1970. Na ocasião, de acordo com o historiador Wellington Tibério, a filha do homenageado, Antonieta Castelo Branco, além de diversas autoridades militares, esteve presente. O prefeito da época era Genésio Graçano e a homenagem veio em virtude da medida do governo de substituir o Imposto de Vendas e Consignações (IVC) pelo ICM, fator que representou significativa arrecadação para o município. Ainda segundo Tibério, a homenagem póstuma ocorreu no ápice da ditadura militar em que a repressão, a censura e a tortura eram confundidas com uma Política de Segurança Nacional.
O grande impasse é que, tão logo foi concluído o relatório, alguns prefeitos de cidades brasileiras tomaram decisões no mínimo polêmicas. Um busto do ex-presidente Costa Silva em Taquari, no Rio Grande do Sul, foi derrubado. Segundo o prefeito Emanuel Hassen de Jesus (PT), a decisão, que provocou polêmica na terra natal do militar, foi tomada em conjunto com outras autoridades locais após a divulgação do documento que gerou discussões e controvérsias.
EM BARROSO
Na cidade, opiniões se dividem com relação à estátua na Praça. “Acho que é um marco histórico da nossa cidade. Não podem nem pensar em mexer no monumento. Ela tem que permanecer, aliás, as tradições devem ser mantidas e continuadas”, declara o professor de História, Reinaldo Chagas, 26, que trabalha na Escola Municipal Vereador Otávio Rufino Pereira, no bairro da Praia. Já para o estudante Wesley Matias, do bairro Jardim Bandeirantes, é inadmissível ter uma estátua de um ditador na nossa Praça. “Isso é triste. Foi um período negro do nosso Brasil que devemos esquecer”, diz. A imagem de Castelo Branco fica ao lado da fonte na Praça Sant´Ana e vira e mexe aparece pintada, pichada, além de estar se deteriorando com o tempo.
MILITARES QUESTIONAM RELATÓRIO
Após a divulgação do relatório, instituições militares reagiram e dirigiram críticas ao documento. O Clube Militar, que reúne oficiais da reserva, por exemplo, chamou de “absurdo” o relatório final e o classificou de “uma coleção de meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade”.

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