O título acima foi manchete na capa do número 140 deste jornal. Apenas como manchete foi, para mim, uma notícia auspiciosa, já que tenho sido uma voz repetidamente clamando no deserto contra a elevada população canina de rua em Barroso. Ainda na data em que redigi esta matéria, ao passar de manhã pelo jardim da Praça Santana, junto à estátua do Marechal Castelo Branco havia quatro cães moradores de rua, e um(a) deles resolveu cortar meu caminho, rosnando e mostrando os dentes. A notícia da castração em massa deixou de ser para mim menos auspiciosa depois que li a matéria da página 3 sobre o “quarto evento de castração” de “cerca de 300 animais” em Barroso.
Explico porque a notícia se tornou menos auspiciosa. O texto dizia que o evento “aconteceu durante dois dias na Praça Gustavo Meireles”. Ora, como os animais não procuraram espontaneamente os castradores, deduzo que ou foram capturados (os de rua), ou foram levados por seus donos. Por outro lado, contrariando a manchete, a presidente da associação “amigos de quatro patas” disse que “cerca de 70 castrações foram realizadas”. Não foi esclarecido se foram castrações cirúrgicas ou químicas, nem quantas dessas 70 foram de machos e fêmeas. Continuando nessa linha de análise, é fácil deduzir que, se a castração foi química atingiu cadelas de rua, daqui a 6 meses elas entrarão no cio novamente e estarão aptas para a reprodução. Lendo a matéria, deduzo que a castração foi química, pois o texto é claro: “fora as castrações, realizamos 12 cirurgias de retirada de hérnias, tumores, diversas consultas”. A única referência clara a cães de rua foram a um cão “que acabara de ser atropelado por um caminhão e um cão que havia levado um tiro há uma semana”.
Ao longo da leitura da reportagem foi que entendi que a manchete de cerca de “300 animais já castrados” se referia a cães e gatos submetidos à castração nos 4 eventos já realizados em Barroso. Para concluir, volto mais uma vez ao Inciso XXXVI do artigo ll da Lei Orgânica de Barroso que diz ser COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO Município “DISPOR SOBRE REGISTRO, VACINAÇÃO E CAPTURA DE ANIMAIS COM A FINALIDADE PRECÍPUA DE ERRADICAR AS MOLÉSTIAS DE QUE POSSAM SEM PORTADORES OU TRANSMISSORES”. Enquanto esse dispositivo legal continuar sendo parcialmente letra morta no que se refere à CAPTURA, vamos continuar tendo que conviver com a população canina de rua, com seus excrementos nas calçadas, com seus rituais de reprodução nas praças, e sua sonolenta presença na Capela do Santíssimo, sua incômoda circulação nas missas na Matriz, nas portas de bares, lanchonetes e no ataque aos sacos de lixo doméstico e de restaurantes com restos de comida. Até quando???
Por Paulo Terra
RESPOSTA DA ASSOCIAÇÃO AO ARTIGO DE PAULO TERRA
Em resposta ao nobre cidadão Paulo Terra, por quem tenho grande estima, escrevo para esclarecer os pontos que para ele não ficaram claros sobre os Mutirões de Castração que a Associação Protetora dos Animais de Barroso vem desempenhando em nossa cidade. Como a manchete mesmo trouxe, Sim, já realizamos em Barroso 300 Castrações, e não são procedimentos químicos, mas sim procedimentos Cirúrgicos, onde nos cães e gatos machos são retirados os testículos e nas fêmeas caninas e felinas o útero. Ou seja, esses 300 animais não entrarão mais no chamado “cio” até o fim de suas vidas. E quando citei que ” Fora as castrações, realizamos 12 cirurgias de retirada de hérnias, tumores e diversas consultas” quis salientar que, embora a equipe de Veterinários contratada por NÓS venha para realizar apenas castrações, acabamos realizando outros tipos de procedimentos extras, como as retiradas de hérnias, tumores e consultas. Outro ponto que saliento é que sim, nosso foco são os animais de rua, entretanto como não possuímos verbas e nem subvenções para realizar nosso trabalho, realizamos o procedimento cirúrgico à baixo custo para proprietários que queiram esterilizar seus animais o façam e com uma taxa já incluída nesse valor que cobramos dos proprietários é que arcamos com as esterilizações nos animais de rua. Animais estes, que como o senhor bem ressaltou, não procuram espontaneamente os castradores, no caso os veterinários; Ou seja, os 20 animais de rua que foram castrados só neste mutirão e os tantos outros de rua que foram castrados nos outros três eventos, foram capturados por NÓS da Associação Protetora dos Animais de Barroso, mantidos por NÓS em lares temporários até que pudessem ser retirados os pontos da cirurgia e depois encaminhados para adoção ou devolvidos às ruas. Visto que são lares temporários. Por mais que nossa intenção assim como a do prezado senhor, seja a de que não houvessem mais animais abandonados nas ruas, infelizmente após à retirada dos pontos, os que não conseguem ser adotados, são devolvidos às ruas pois ressalto novamente, não possuímos nem verbas e nem subvenções para recolhê los e também não é nossa intenção manter nem criar um canil, devido à inúmeras observações que tivemos em canis de cidades vizinhas. Bom, deixando de lado a questão das cirurgias que acredito ter ficado clara, volto a concordar com o senhor no que diz respeito à lei orgânica municipal e ressalto que realmente precisamos cobrar mais do poder público políticas efetivas no controle da população canina e no recolhimento e encaminhamento desses animais para locais adequados. Entretanto, também como cidadãos, devemos além de cobrar, fazer a nossa parte. E acredito que nós enquanto associação estamos fazendo. Nunca deixaremos de cobrar do poder público, mas também sabemos que apenas cobrar não adianta, se cada um fizer um pouco, se empenhar um pouco além de apenas reclamar e cobrar verão que os resultados aparecerão! Para finalizar e contrapor um pouco com o as palavras que o senhor usou na última edição do Jornal Barroso em Dia, digo que, infelizmente para nós, ainda iremos continuar tendo que conviver com a população canina de rua, com seus excrementos nas calçadas, com seus rituais de reprodução nas praças e sua sonolenta presença na Capela do Santíssimo, sua incômoda circulação nas missas na Matriz, nas portas de bares, lanchonetes e no ataque aos sacos de lixo doméstico e de restaurantes com restos de comida. Porém, não posso deixar de lembrar ao senhor que fomos NÓS os seres que se dizem “Humanos”, que os domesticamos e os trouxemos para o nosso convívio para serem os nossos melhores amigos. Função essa que ELES APRENDERAM, MAS NÓS NÃO! Nós, os Tais “Seres Humanos”, os domesticamos, os trouxemos para perto, não controlamos sua proliferação, não os mantivemos sob a nossa tutela os abandonando pelas ruas e agora simplesmente nos sentimos incomodados com a presença deles. Bom, infelizmente conviveremos com eles, mas enquanto Associação Protetora dos Animais, quero também ressaltar a visão deles, que também se perguntam por quanto tempo ainda terão que conviver conosco, Animais prepotentes que somos, que nos julgamos superiores à qualquer forma de vida, que os maltratamos, chutamos, aprisionamos em correntes, jogamos água ou líquidos quentes enquanto eles estão se proliferando por INSTINTO, ou quando reviram os lixos com FOME, ou até mesmo maltratamos simplesmente por maltratar. Até quando teremos que conviver com eles? Eles também se perguntam.! Bom, acredito ter passado um pouco do nosso trabalho e convido ao senhor e a quem mais se intetessar à ser um protetor dos animais, a acompanhar de perto o trabalho que temos feito e também convido desde já a nos fazer uma visita no Quinto Mutirão de Castração que se realizará nos dias 25/ 26 e 27 de setembro deste ano em nossa cidade. Sem mais para o momento, um Grande Abraço!
Att, Grasielly Melo. Presidente da Associação Protetora dos Animais de Barroso.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.