Foi em 25 de janeiro de 1958 que a parteira “Sá Olívia” trouxe ao mundo Júlio César Dutra Santos, o segundo filho do casal Edigar Dutra Santos e Clarice Scari Santos. Em sua juventude, ele desenvolveu a paixão pela música e foi nos festivais da canção que ergueu sua voz na luta contra a ditadura militar, conquistando o 1º lugar do Festican em 1980 com a música “Canto Recado” cuja letra alardeava: “ ei irmão, tá vendo essa gente morrendo de medo que corre em troca de migalhas; que cumpre as leis por temer os reis, ditadores sujos, malditos cães, que não mordem mas ferem, arrebentam a gente que grita: eu quero ser feliz sem canhão.” Em uma outra canção de sua autoria denunciava: “queriam minha história pobre de mim, não tinha história pra contar, vieram traiçoeiros vermes loucos armados na escuridão(…) felizes dos olhos que não viram a amargura de um pau de arara”.
Em novembro de 1981, Júlio participou do Festival da Canção de Barbacena, inscrito com a música “Isabelinha”, personagem folclórica daquela cidade. Contudo, a morte chegou precocemente para este jovem destemido. Foi em 26 de março de 1983 que um acidente de moto o impediu de assistir ao processo de abertura política do país. Quando a voz da resistência se calou, os festivais em Barroso continuaram e numa merecida homenagem criou-se o “Troféu Júlio César” com o intuito de se premiar os vencedores do festival. Mesmo esquecido na cidade em que nasceu, Júlio César e sua história ainda permanecem vivos. Desta vez seu “Canto Recado” para os gestores da cultura local traduz-se nos versos: “caminhei com meu destino e em algum lugar estou sorrindo”.


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