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O gorro guardado, a boca e os corações cortados, os lábios lambuzados, a luva feita à mão para as mãos, duas ou duas dúzias de meias para os pés e mais uma centena de estereótipos entregam que Julho chegou. E chegou chegando, dobrando a esquina, longe da Praça, por isso um tanto quanto sem graça, mas acolhedor como ontem, hoje e como sempre será, aliás, é Julho, de novo, como será no próximo inverno. É quando a gente encontra gente da gente, que se perdeu ou se encontrou em outros caminhos e depois de um tempo reencontra o caminho da roça.

Entre quermesses, violões, agora nos salões, o ronco das máquinas, gritos de rock, equilíbrio e desequilíbrio dos jipeiros, nas mesmas trilhas dos remotos tropeiros, na fazenda e agora no Barroso. É Julho, saudade de Júlio, das Júlias, das Isabelas e Isabelinhas, das Bandas, que andam por qualquer banda. Nostalgia profunda, que a gente cura quando se afunda em um ou vários copos de uma bebida quente, que esquenta o peito onde bate e rebate o coração que clama por Julho. Não canso de escrever de Julho, que apesar de sempre frio, sempre nos surpreende. Que entre e nunca mais saia Julho, que permaneça e me aqueça, que me leve, mas me traga a cidade natal, bem antes do Natal. Julho, de novo, à flor da pele, por favor, de novo, nos surpreenda em qualquer esquina, em qualquer doutrina, crença, fé, que seja, em qualquer maré, mesmo longe das ondas e perto de uma onda de frio que é quente como um povo que conta e reconta os dias à espera de Julho, que enfim, chegou.

 

Por Bruno Ferreira 

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