Editorial especial: Coluna de Iracema Rocha publicada no Barroso EM DIA
Olho no infinito o círculo da vida, distante, dias e dias, em muitos dias, dos meus sentimentos. Como as lembranças me machucam. Havia um ponto no grande círculo e eu o olhava com ternura incontida. Aos poucos o ponto foi desaparecendo deixando um vazio, uma saudade escondida a machucar-me. Como as lembranças são cruéis. São como fantasmas a nos atormentar nas noites em que o sono foge para outras paragens. Não vejo o contorno da imagem querida a sorrir-me nos encontros clandestinos.
Quisera que o tempo parasse seu pêndulo para que eu pudesse viver eternamente a felicidade e contemplar com ternura a imagem querida. Mas os sonhos passam rápidos, envelhecem deixando-nos, apenas as marcas profundas dos cálidos encontros. A vida é assim mesmo. É como um mosaico formado de diversos pedaços, cada um com cor diferente. Eu me vejo assim. Um mosaico de formas diferentes onde em cada recorte há um segredo, um pedaço das minhas desilusões. Seria utopia pensar em voar como um pássaro liberto e buscar no infinito espaço o ponto perdido que um dia foi maravilhoso e encheu meu coração de alegria nos dias contidos em muitos dias de um passado que não recupero. A ausência não é boa companheira para um coração ressequido onde outrora habitou a imagem da felicidade. Hoje, apenas uma lágrima comprova a minha saudade.
Obrigado Iracema, uma Rocha da nossa Educação.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.