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O vereador Fernando Terra (PP), divulgou na última edição do jornal Barroso EM DIA um artigo polêmico sobre como é investido o dinheiro público. A versão na íntegra está abaixo. Confira:
Inicio esta matéria perguntando a vocês: nós gastamos com eficiência os recursos públicos municipais em Barroso? Como gastos municipais eficientes devemos entender aqueles que, de forma racional e econômica, mas sem perder qualidade, são empregados em funções próprias do Poder Público Municipal como Saúde, Educação, Limpeza Pública, etc, e alcançam os objetivos propostos.
Quanto à resposta, incomodam-me respostas passionais tanto daqueles que, como eu, votaram na Sra. Prefeita e tendem a dizer automaticamente que os recursos públicos são gastos com eficiência, como também daqueles que nela não votaram e tendem a dizer que os recursos públicos não são gastos de forma eficiente.
Entendo que devemos buscar uma resposta racional, baseada nos fatos. E, analisados alguns fatos, percebemos que existem situações em que os recursos públicos são utilizados com eficiência, como na construção de creches, unidades básicas de saúde e redes de esgoto sanitário. Gastos que são plenamente justificáveis porque estão diretamente vinculados às necessidades atuais da nossa sociedade e se enquadram como funções próprias do Poder Público municipal, além de serem prioridades previstas no Plano Plurianual.
Entretanto, ocorrem outras situações em que os recursos públicos não são gastos com eficiência, como a contratação de shows caros ou, p. ex., os gastos de aproximadamente R$43.000,00, ocorridos em 2014, na compra de camisas para campanhas relacionadas à Saúde. No caso dos shows caros, o gasto é ineficiente, primeiramente, porque não é função do Poder Público municipal custear tal despesa. Segundo, porque, a meu ver, este tipo de “turismo de eventos” não estimula a economia local de forma sustentável. As barracas, muitas das vezes, são de comerciantes de fora de Barroso que vão embora com o dinheiro. A grande maioria do público (turista?) vem de fora, das cidades vizinhas, e logo que acaba o show também vão embora. E, o pior, estes eventos promovem grandes bebedeiras e alto consumo de drogas, o que os tornam péssimas oportunidades que oferecemos para os nossos adolescentes e jovens com uso de recursos públicos.
Muito melhor é gastar o dinheiro com o fomento efetivo da cultura local como, p. ex., a criação do Conservatório e do Coral Municipal e o apoio às bandas locais, cujos músicos poderão abrilhantar nossos diversos e importantes eventos e ensinar música aos barrosenses.
Criar reais e constantes oportunidades de aprendizagem de atividades culturais e esportivas é, efetivamente, trazer ganhos para toda a sociedade que terá boas oportunidades de ocupar, de forma proveitosa, o seu tempo, inclusive os estudantes no contra turno escolar e nossos amigos da Feliz Idade. Temos boas associações e muita gente boa que, se bem apoiadas, podem agregar muitas oportunidades para nossa sociedade. Por que não criar parcerias fortes e eficientes com eles, ao invés de, eventualmente, repassar-lhes pequenos valores para, p. ex., algumas viagens?
Tramita na Câmara Municipal Projeto de Lei que procura trilhar este caminho ao determinar que os recursos públicos municipais previstos em orçamento para desembolso com eventos artístico-culturais, como apresentações musicais e similares, inclusive shows, exposições e afins, sejam empregados preferencialmente com artistas locais e oficinas de atividades culturais.
Quanto aos aproximadamente R$43.000,00 gastos com a compra de camisas no ano passado, as campanhas de saúde preventiva foram ótimas, mas poderíamos tê-las efetuado sem as camisetas ou com pequenas fitas para serem presas nos braços, o que possibilitaria que a maior parte do dinheiro fosse gasta, p. ex., com mais exames clínicos.
Vereador Fernando Terra.

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