O comando da LafargeHolcim realizou reuniões nesta sexta-feira (10) para anunciar que a Unidade Barroso voltará a usar o coprocessamento como fonte de energia para produção de cimento. A tecnologia é considerada como uma alternativa sustentável e ambientalmente correta para destinação de resíduos industriais e urbanos.
“Trata-se da melhor alternativa para resíduos que não podem ser reciclados, pois são eliminados completamente (sem geração de cinzas) e seu conteúdo energético ou a fração mineral é aproveitada”, diz o Gerente de Fábrica, Juliano Meneses de Melo, que comunicou a decisão da empresa ao Prefeito Reinaldo Fonseca (PSDB) e logo em seguida aos vereadores. A tarde foi a fez da imprensa local.
De acordo o Gerente, os documentos já foram enviados para Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) para obtenção da Licença Ambiental necessária para realizar as atividades.
A previsão é de que a LafargeHolcim retorne com a atividade no segundo semestre deste ano, sendo o coprocessamento responsável por 15% da energia para o forno da empresa, que é a única do grupo que ainda não faz o coprocessamento.
A licença pleiteada junto ao órgão ambiental é para a nova fábrica, inaugurada em maio do ano passado. A Unidade mais antiga, que atualmente não está em produção, já tem a licença para o coprocessamento, mas esta atividade está suspensa desde setembro de 2014.
Legislação Municipal mais rigorosa
Desde que a LafargeHolcim deixou de utilizar o coprocessamento, a Legislação Municipal ficou mais rigorosa. No mesmo ano em que a fábrica de cimento suspendeu as atividades, Barroso ganhou três leis diretamente ligadas ao coprocessamento.
A Lei Municipal 2.558, de autoria do ex-vereador Fernando Terra, aumentou a alíquota do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) de 4% para 5%, limite máximo para cobrança deste imposto de acordo com a Lei Federal. Já a Lei 2.574, de autoria do vereador Eduardo Pinto (PV), determina que a empresa que use o coprocessamento faça ampla divulgação de dados como materiais usados, emissões, licenças ambientais e até o valor recebido pela empresa para realizar o coprocessamento. Por fim, a Lei 2.589, também de autoria do vereador Fernando Terra, criou a Taxa Municipal de Fiscalização Ambiental da Atividade de Coprocessamento. A Taxa tem o objetivo de custear os serviços de fiscalização a ser cobrada anualmente pelo Poder Executivo.
As Leis Municipais podem ser consultadas na íntegra nos links abaixo:
Lei Municipal nº 2.558/2014:
http://camarabarroso.mg.gov.br/dados/info/1264-20150108143116.pdf
Lei Municipal nº 2.574/2014:
http://camarabarroso.mg.gov.br/dados/info/1175-20150106145048.pdf
Lei Municipal nº 2.589/2014:
http://camarabarroso.mg.gov.br/dados/info/1271-20150109130046.pdf
EFEITOS
“Os filtros já estão instalados na nova Fábrica”, respondeu Juliano sobre os questionamentos as emissões pelas chaminés da LafargeHolcim. Já com relação aos casos de câncer que sempre aparecem nos questionamentos, ele disse que sua família mora na cidade, a cerca de 200 metros da Fábrica, e, que jamais colocaria a família dele em risco. “Posso fazer toda a defesa baseada em números e diagnósticos positivos, mas prefiro me reportar dessa forma, ou seja, eu colocaria minha vida e minha família em risco se soubesse que traria algum problema?”, declara.
Outro ponto interessante levantado na reunião foi a queima dos resíduos da região, por exemplo, a sobra de couro, que por sinal gera confusão e atrito entre Prefeitura e os empresários de Dores de Campos, que hoje pagam por isso. De acordo com Pedro Carsalade, Executivo Comercial, existe a possibilidade de uma conversa entre as autoridades locais e a empresa para que este resto de material possa ser coprocessado. “É preciso fazer um estudo, ter as licenças de ambas as partes, mas é possível sim uma conversa”, diz.
VÍDEO
O vídeo abaixo, sobre coprocessamento, foi apresentado na reunião que também mostrou que a Europa é o continente que mais realiza coprocessamento.
