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Bitucas de cigarro no fundo da garrafa

Almoço de domingo na mesa. Entre tantas guloseimas, o refrigerante mais consumido no mundo, ou seja, a Coca-Cola. Este seria um domingo “perfeito” ao lado de familiares e amigos. Porém, além de não ser um domingo, a pequena reunião familiar semanal não terminou em perfeição, e sim em desconfiança e sentimento de repulsão e náusea.

O renomado advogado Gian Brandão, 35, que em junho comprou um engradado de Coca-Cola 290 ml, a chamada King Size (KS), em um supermercado de Barbacena, ficou no mínimo surpreso com o que encontrou no interior da garrafa lacrada. “Estávamos todos reunidos, conversando e tomando Coca-Cola. Já havíamos consumido algumas garrafas, mas, quando fui abrir a próxima, alguém, não me recordo quem, me alertou para algo estranho dentro do refrigerante. Então, revirei a garrafa, olhei de novo, não querendo acreditar, e vi que se tratavam de duas bitucas de cigarro, além de algo que aparentava ser um papel de bala”, declara Gian, relembrando os momentos de aflição ao lado da família.

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Comprada em Barbacena

Ainda segundo o advogado, eles pararam de consumir o refrigerante e também não abriram mais nenhuma garrafa do engradado que havia comprado. “Tenho preferência por esse tipo de garrafa KS e tinha comprado 24 unidades. Ficamos com um sentimento horrível e não deixei ninguém consumir as outras que eram do mesmo lote”, ressalta o advogado barrosense que nos dias seguintes entrou em contato com a representante do fabricante. “Eles foram muito solícitos e me disseram que um representante pegaria a garrafa na minha casa. De fato. Um dia depois do acertado via telefone, um rapaz, que não tinha credencial da Coca-Cola, apareceu aqui e queria levar a garrafa, sem deixar nenhum documento de garantia e nenhuma resposta. Dessa forma, achei melhor não entregar e retornei a ligação”, relata Gian, que explicou à outra atendente que não poderia entregar a garrafa a um representante de uma empresa que se dizia trabalhar para a Coca-Cola. “E mais, eu queria e quero uma resposta sobre o ocorrido. Imagina se a minha família ou a de qualquer outro cidadão ingerisse aquele líquido com bitucas de cigarro e papel de bala?”, pondera o advogado que vai entrar com uma ação por danos morais contra a empresa. “Acho que eles deveriam ser mais transparentes com seus consumidores. Não recebi nenhuma resposta até então e disse à atendente que tomaria minhas atitudes. Ela sequer deu atenção e pediu que eu tomasse minhas atitudes. Assim sendo, estou tomando. Além da questão judicial, quero deixar claro, via meios de comunicação, que nós, consumidores, corremos inúmeros riscos”, ressalta Gian que prefere se resguardar e não aparecer nas fotos.

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A reportagem entrou em contato com um Gastroenterologista da cidade de Belo Horizonte. De acordo com o médico, que não quis se identificar, se consumido, um líquido contendo os elementos descritos pode causar vários problemas ao estômago de uma pessoa. “O envenenamento por nicotina causa vômito, náusea, dores de cabeça, dificuldades na respiração, dores de estômago e convulsões. Cada um desses sintomas pode ser provado como resultado do estímulo excessivo dos neurônios colinérgicos”, diz o médico que acrescenta que uma bituca dessas contém mais de 4 mil substâncias tóxicas. E mais, 95% dos filtros de cigarros são compostos de acetato de celulose, de difícil degradação. O tempo de decomposição de uma bituca descartada incorretamente pode chegar a até cinco anos.

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O Barroso EM DIA também fez contato com a assessoria de imprensa da Coca-Cola, enviando o vídeo e as fotos publicadas nesta matéria. Em resposta, a empresa alega que inicialmente a FEMSA Brasil, responsável pela fabricação, esclarece que todo o processo de seus produtos, desde a recepção da matéria-prima e embalagens até seu final encaixotamento, segue rigorosos procedimentos de higiene, garantindo, assim, que esses cheguem às mãos do consumidor dentro dos mais altos padrões de excelência em qualidade. Sobre o caso relatado, a empresa informa que entrou em contato mais de uma vez com o consumidor, desde sua primeira manifestação, e, por mera liberalidade, mesmo sem realizar a análise técnica do produto para identificação da causa do suposto problema, o Contact Center da FEMSA Brasil ofereceu a sua troca, em atenção ao respeito e cordialidade que costuma pautar a relação com seus consumidores. Além disso, o consumidor foi também convidado a visitar a fábrica para conhecer todo o processo produtivo e os nossos padrões de qualidade adotados pela empresa, que impossibilitam ocorrências desta natureza. No entanto, tais medidas não foram aceitas pelo consumidor, ficando prejudicada qualquer avaliação detalhada sobre o fato narrado.

Assista o vídeo das bitucas de cigarro e um papel de bala dentro da garrafa ks da Coca-Cola.

 

 


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