A estudante Milena Carvalho, de 18 anos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Militar (PM) depois de ser expulsa da Faculdades Integradas Vianna Júnior em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Para a universitária seu desligamento tem cunho homofóbico, já que a medida foi tomada após ela ser flagrada beijando uma colega, de 16 anos.
Por meio de nota, a faculdade nega as acusações, diz que qualquer namoro dentro do ambiente escolar é proibido e que alunas tinham consciência das sanções que poderiam ser aplicadas.
“A instituição de ensino respeita incondicionalmente qualquer opção sexual e jamais tomou ou toma qualquer atitude homofóbica. O poder disciplinar foi aplicado de acordo com os regimentos internos da instituição e seria aplicado de idêntica forma se o ato praticado fosse por casal heterossexual”, pontuou a instituição.
Entenda
O caso ocorreu na última segunda-feira (3), quando as duas estudantes foram flagradas se beijando em um box do banheiro do prédio da Instituição Vianna Junior, onde estão instalados o Colégio São José, instituição que atende os ensinos fundamental e médio, e a Faculdade Vianna Júnior.
A denunciante disse que a coordenadora entrou no banheiro e bateu no box, pressionando para que a menor disse quem estava com ela. Ao ser questionada, a instituição explicou que “uma colaboradora reparou que havia uma movimentação diferente no banheiro e reportou para a responsável”. Esse profissional foi quem flagrou as duas juntas.
Ao serem descobertas, as jovens voltaram para suas salas, respectivamente, e ao fim do horário foram levadas até a direção. Na presença de suas mães, a princípio, a menor negou o ato, contudo acabou confessando.
A expulsão
Diante do ocorrido, a diretora acadêmica informou que haveria uma sanção as estudantes, mas solicitou as mães e as jovens que aguardassem um posicionamento da instituição.
Na terça-feira (4), a universitária foi informada sobre o seu desligamento imediato. A aluna mais velha alegou que o beijo foi consensual e disse que a escola foi informada sobre isso.
Contudo, a instituição afirmou que a medida foi um ato disciplinar da instituição, previsto nos Regimentos Internos. Por isso, mesmo sendo consensual, a estudante deveria ser expulsa.
Já a outra aluna do ensino médio, teve uma penalidade diferente, sendo suspensa temporariamente de suas aulas.
“O poder disciplinar foi aplicado de acordo com os regimentos internos da Instituição, a menor seguiu as sanções cabíveis ao regulamento do colégio, por estar cursando o primeiro ano do Ensino Médio e, a maior, por estar no primeiro período do Curso de Direito, seguiu as normas aplicadas às Faculdades”, justificou a nota.
Boletim
Revoltada com a situação, a universitária procurou a Polícia Militar (PM) e registrou um boletim de ocorrência por calúnia, com causa presumida de homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia.
A reportagem, a instituição negou essas acusações e alegou que a estudante foi punida depois de ficar constatado que se tratava de um caso de namoro dentro do colégio, uma vez que este relacionamento é proibido dentro do ambiente escolar.
A proibição consta no Manual do Aluno que, que segundo justificou a faculdade, é entregue aos jovens e disponível na área de convivência. Além disso, a orientação está disponível no site do grupo e também é entregue aos pais durante a matricula dos filhos.
Para embasar a determinação, o grupo alegou que se deve “justamente porque, na instituição, crianças, adolescentes e adultos dividem o mesmo espaço físico (inclusive o banheiro)”.
“Os Regimentos internos possuem normas disciplinares a fim de preservar um ambiente salutar para convivência harmônica para todos, principalmente crianças e adolescentes que estão em formação”, ressaltou a nota.
Investigação
O caso foi levado para a Delegacia Especializado ao Atendimento a Mulher de Juiz de Fora. Porém, segundo informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada Ângela Celeste irá esperar que a universitária represente a ocorrência na delegacia para dar inicio a investigação do ocorrido.
O caso não foi o único
Em data anterior, outro aluno chegou a ser expulso por infringir a determinação. “Já aconteceu com alunos heterossexuais que foram flagrados na mesma situação e tiveram a mesma punição”.
Número de alunos
Atualmente, o instituto conta com quase 3.000 alunos em seu quadro, formado por ensino fundamental, médio e superior.
