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Publicação no facebook afirma que a Cadeia Pública de Barroso está abrigando presos de alta periculosidade

Em abril deste ano, uma quadrilha de Belo Horizonte, incluindo um menor, especializada em roubo de caixas eletrônicos em bancos, foi presa em fuga no trevo da cidade de Resende de Costa. O gol vermelho, que a quadrilha usava, foi detido na BR que liga Prados a Resende Costa depois que cidadãos denunciaram um movimento estranho no centro da cidade de Prados. Os bandidos tinham como objetivo roubar o caixa eletrônico do Banco do Brasil, que fica localizado no Coreto principal do município. Alguns moradores suspeitaram do carro e dos barulhos no centro da cidade e chamaram a PM. Minutos depois iniciou-se uma perseguição pelas ruas da cidade e pela BR e a quadrilha foi presa.

Quadrilha Prados

OUTRO CRIME

Quatro meses depois, mais precisamente no dia 07 de agosto, a Rua XV, no centro de Barbacena, uma das mais movimentadas do município, se transformou no palco de uma das maiores tragédias policiais já registradas na cidade. Delton Duarte, 62, que havia feito um saque no valor de cerca de R$12 mil e Marco Túlio Carneiro, 37, que tentou auxiliar Delton, depois que o mesmo levou um tiro na cabeça, foram mortos. Uma terceira vítima, Luiz Carlos Damasceno, 49, também foi atingida com um tiro na perna e não corre risco de morrer. 

O tiroteio aconteceu quando bandidos faziam a chamada “saidinha de banco” e as vítimas reagiram. Os dois autores, após o assalto, fugiram em uma moto Honda/CB 300, cor preta, placa de Governador Valadares, sentido à Praça Conde de Prados. Com os dados disponíveis repassados, a Viatura do Pelotão Tático Móvel, sob o comando do Tenente Carlos Paiva, ao deparar com a motocicleta passando perto da Matriz de Nossa Senhora da Piedade, iniciou de imediato o acompanhamento, tendo a perseguição ocorrido sentido ao Bairro São José. Foi acionada a operação cerco e bloqueio o que redundou na abordagem dos suspeitos, nos arredores da entrada do bairro Chácara das Andorinhas sendo revistados e presos de posse de um revólver calibre 38 com duas munições deflagradas e toda a quantia roubada, material que, além do veículo utilizado no crime, foi imediatamente apreendido. 

Os suspeitos do latrocínio são Rafael de Almeida Drummond, da cidade de Santa Luzia, de 22 anos, autor dos tiros; e Wilton Felipe Dias, morador de Contagem, de 40 anos, que foi quem conduziu a moto. Eles foram encaminhados à Delegacia Regional para as providências da Polícia Civil sendo que, o auto de prisão em flagrante foi ratificado. Os dois autores já têm passagens pela polícia e deixaram o sistema prisional recentemente.

 assaltantes

MAS O QUE ESTES DOIS CASOS TÊM EM COMUM?

Segundo um post publicado na internet, no dia 9 de agosto (sexta-feira), mais precisamente no facebook, por uma mulher barrosense, cujo nome o jornal prefere manter em sigilo, a Cadeia Pública de Barroso, além da lotação máxima, estaria abrigando estes bandidos de alta periculosidade. De acordo com o que foi postado, além de abrigar hoje cerca de 70 detentos, a prisão foi feita para 20 presos, a Cadeia estaria abrigando a quadrilha de Belo Horizonte, especializada em roubo de caixas eletrônicos, e os assassinos que recentemente roubaram e mataram em Barbacena duas pessoas no episódio que chocou a cidade vizinha. 

 

VERDADE?

Diante da denúncia, a reportagem do jornal entrou em contato com o Delegado Alexsander Soares Diniz, responsável pela Cadeia de Barroso, com o intuito de esclarecer a situação que apavorou a internet nos últimos dias. Segundo o Delegado, realmente os presos que tentaram roubar o banco em Prados se encontram detidos em Barroso e aguardam julgamento do juiz da cidade vizinha. “Sim, essa quadrilha está presa aqui em Barroso. Prados não tem condições de abrigar estes bandidos que aguardam o julgamento e tão logo a transferência para uma penitenciária. Já com relação aos assaltantes e assassinos de Barbacena, não existe nada disso. Não tem ninguém deste caso preso aqui”, explica Alexsander que prometeu averiguar o post da mulher barrosense na internet. 

No print screen (veja a baixo), que a reportagem do jornal fez da publicação via internet, a autora ainda cita três tentativas frustradas de fuga na Cadeia Pública de Barroso. O Delegado também desmente tal afirmação e declara que na cela onde há poucos meses foi encontrado um buraco, feito por detentos numa tentativa de escapatória, realmente se encontravam os responsáveis pelo roubo em Prados, mas que não se pode provar uma ligação somente deles com a tentativa de fuga realizada na Cadeia Pública de Barroso.  

Facebook - Sandra Couto (1)

Mãe de detento desabafa ao jornal

Albergado faz relato à mãe sobre condições e superlotação da Cadeia Pública de Barroso. Segundo depoimento, é preciso tomar doses abusivas de remédios para conseguir dormir. 

Apesar de polêmico, o post da internet traz uma informação que vai de encontro com os relatos da mãe de um albergado (preso que apenas dorme na cadeia). De acordo com o depoimento da mãe à reportagem, seu filho sofre com o que passa na Cadeia Pública de Barroso. “Meu filho me conta cada coisa que chego a sofrer só de imaginar que ele está indo para um inferno. Eles mal conseguem dormir. A cela, que era para ter cinco presos, hoje tem quinze, o triplo. Isso é superlotação”, diz a mãe que está desesperada. 

Segundo os levantamentos feitos pelo jornal, hoje são 15 presos nas quatro celas maiores, uma outra com sete e um menor sozinho em uma das celas menores. 

 

DEFICIENTE VISUAL ESTARIA SOFRENDO

“Meu filho me contou que lá tem um deficiente visual que sofre horrores porque não consegue dormir direi-to e os outros não o respeitam. O banho de sol acontece duas vezes por semana, durante meio dia, e a comida é de péssima qualidade, enfim. São pessoas que estão pagando pelo que fizeram, mas estão ficando mais revoltadas que quando estavam aqui fora”, explica. 

 

REMÉDIOS PARA DORMIR

Ainda de acordo com uma apuração do jornal, os detentos chegam a tomar copos duplos de água com açúcar, Diazepam e Amitriptilina (remédios que ajudam a tranquilizar e a dormir). 

“Meu filho me contou que só quando eles tomam essas doses abusivas de remédios é que eles conseguem dormir, aliás, dormir não, apagar, lá na Cadeia”, desabafa a mãe que pede uma atitude das autoridades responsáveis.

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