O assassinato de um turista em São Tomé das Letras, no Sul de Minas, e de um motorista de ônibus no bairro Ribeiro de Abreu, região Nordeste de BH, ocorridos no último fim de semana, guardam um ponto em comum. Ambos os casos contaram com o envolvimento de menores, uma realidade que tem se tornado comum em Minas.
Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontam que, de janeiro a novembro de 2016, 143 jovens de até 17 anos foram conduzidos, diariamente, pela polícia por algum ato infracional no Estado.
A motivação para o elevado índice de menores envolvidos com a criminalidade é variada. Porém, no topo da lista das irregularidades cometidas estão o tráfico, o consumo de drogas e o furto, segundo a Sesp. Números exatos para essas ocorrências e os registros de homicídios não foram apresentados pela secretaria.
Para especialistas, mudanças no cenário só serão possíveis com prevenção e maior investimento no sistema socioeducativo, responsável por acolher os infratores. Hoje, além de sobrecarregado, o serviço apresenta fragilidades de segurança.
Casos em sequência apontam fragilidade em centro educativo
Criados para acolher e ressocializar os jovens em conflito com a lei, os centros de internação mostram fragilidade. A reincidência de crimes dentro dos espaços lança um alerta. Nos últimos 60 dias, dois casos chamaram a atenção.
No início de março, no Centro Educativo São Francisco de Assis, em Governador Valadares, um adolescente de 15 anos que cumpria medida socioeducativa por tentativa de homicídio foi assassinado. Ele foi golpeado com um chuço (arma artesanal com ferro pontiagudo) pelo colega de alojamento.
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), o menor foi socorrido imediatamente pela equipe de segurança da unidade e encaminhado ao Hospital Regional do município. No entanto, o jovem morreu no pronto-socorro. O outro interno, de 16 anos, foi flagrado pelos agentes e assumiu a culpa.
Macabro
No último domingo, outro delito com requintes macabros de crueldade voltou a atrair as atenções para o mesmo centro educativo.
Um interno de 18 anos, que dividia o alojamento com cinco adolescentes, foi brutalmente assassinado. Ele teve o coração arrancado e jogado dentro de uma pia.
De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o corpo foi encontrado por volta das 6 horas da manhã, no momento da troca de turno dos agentes da instituição.
Nenhum dos jovens assumiu a autoria do homicídio, segundo a Sesp. O corpo do jovem também apresentava um corte no pescoço. A polícia informou que não foi encontrado o objeto utilizado pelo autor do assassinato.
O Ministério Público de Minas Gerais foi procurado para comentar os crimes, mas afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o promotor da cidade de Governador Valadares, responsável pelo caso, só se pronunciaria hoje.
Menos repressão
Aumentar a capacidade de articulação com órgãos educativos é a aposta da PM para reduzir os esforços de repressão contra menores. Hoje, o esforço aplicado em projetos de prevenção às drogas está entre as principais ações visando a redução das ocorrências envolvendo menores.
O Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) é uma das ações apontadas pela corporação como um modelo a ser seguido para envolver a escola e a família dos jovens em um processo de conscientização.
