Nem tudo que é antigo é obsoleto. Nem tudo que é novo é novidade. As conquistas da ciência e do desenvolvimento tecnológico em geral são extremamente importantes. No entanto não desmancham os conhecimentos já adquiridos no passado, na árdua escola da vida. Aliás, de alguma forma, as novidades de hoje têm raízes nos acertos ou nos erros de ontem. Não era à toa que os antigos sábios de Roma já diziam que “a História e a Experiência são as mestras da vida”.
Em todos os agrupamentos sociais, sejam quais forem, há choques de gerações, confrontos de interesses, divergências de opiniões e, frequentemente, o anti-diálogo entre idosos e jovens. Os idosos julgam saber tudo, negando aos jovens o direito de terem opiniões próprias. Por sua vez, os jovens acreditam que os velhos “já eram”, e se arrogam o direito de discordar de tudo, de tudo saber, condenando ao ostracismo aqueles que estão se despedindo da vida. Como geralmente acontece no choque das divergências, em que cada parte julga estar com a razão, também aqui a “virtude” (no sentido da palavra latina “virtus” = força) está no meio (virtus in medio). Há valores antigos que são incontestáveis, como há os novos que são importantíssimos para a humanidade. A descoberta da telefonia móvel, cada vez mais sofisticada, não acaba com a existência e com a importância da “roda”. Assim como o cálculo diferencial de Einstein não anula o teorema de Pitágoras, formulado na antiga Grécia, nem a verdade matemática de que 2x 2 = 4.
Então, se há acertos e erros de ambos os lados, porque tantos atritos entre as pessoas? A razão é que nós, seres humanos, em qualquer grupo social, nos preocupamos mais em falar e menos em ouvir, muito criticamos os outros e pouco criticamos a nós mesmos. Não é certo que os mais velhos condenem todas as ideias dos mais jovens, como também é pretensão demais dos jovens não quereram aprender com toda a experiência boa ou ruim que os idosos tiveram na vida. Tanto para os que estão indo para o futuro como para os que estão saindo do passado será muito mais proveitosa a “SOMA DOS CONTRÁRIOS”, isto é, a experiência dos que já viveram com a força e os sonhos dos que os sucederão amanhã, através do DIÁLOGO.
Paulo Terra


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