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Desde o último dia 1º de abril, conforme nota publicada pelo Instituto Nossa Senhora do Carmo (INSC), o Hospital de Barroso não realiza mais serviços de pediatria, assistência ao parto e atendimentos ortopédicos no período noturno. A partir de agora, casos registrados à noite serão regulados pelo SAMU e encaminhados para hospitais de referência em São João del-Rei.
As referências seguem o seguinte fluxo:
* Ortopedia e trauma: Hospital Nossa Senhora das Mercês.
* Casos graves de pediatria, partos e cirurgias gerais: Santa Casa de Misericórdia.
Segundo a nota do Hospital, a mudança ocorre devido a uma reclassificação feita pela Secretaria Estadual de Saúde, que enquadrou a instituição como Hospital de Pequeno Porte (HPP), resultando na suspensão de importantes repasses financeiros estaduais.
IMPASSE POLÍTICO
As decisões do Estado — que atingem não só Barroso, mas também cidades vizinhas como Carandaí — indicam que a mobilização de prefeitos da região em Belo Horizonte, realizada há cerca de dois meses, não surtiu o efeito esperado. Mesmo após a visita do Secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, a Barroso, os repasses sofreram cortes em vez de aumentos.
“Não entendo essa situação. O hospital atende Barroso, zonas rurais e municípios como Dores de Campos e Prados. Em vez de reforçarem a estrutura, estão cortando. Parabéns aos envolvidos, em especial aos responsáveis pelo nosso Estado”, criticou um usuário em comentário nas redes sociais da instituição.
Em Brasília, nesta semana, o ex-senador Rodrigo Pacheco, falou sobre a situação da saúde em  Minas Gerais. No pronunciamento, o ex-presidente do Senado evitou citar nomes, mas apontou falhas estruturais na condução da política de regionalização de saúde em Minas. Segundo ele, o estado convive com “um abismo entre o planejamento técnico e a realidade assistencial”, o que obriga pacientes de cidades pequenas a percorrer “distâncias proibitivas” em busca de atendimento em cidades vizinhas.
SERVIÇOS MANTIDOS
Apesar das alterações, o INSC garante que a assistência hospitalar 24 horas para urgência e emergência, internações e cirurgias eletivas permanece ativa. Os serviços de pediatria, obstetrícia e ortopedia continuam funcionando normalmente no período diurno, todos os dias da semana. A manutenção desses serviços durante o dia é viabilizada por recursos da Prefeitura Municipal de Barroso. “Ainda bem que a Prefeitura continua ajudando, porque em Carandaí, por exemplo, nem parto de dia acontecerá mais. Que situação vexatória para o Estado”, diz outro comentário. Em nota, o INSC reiterou que a população não ficará desassistida. “A rede de saúde regional está organizada para garantir acolhimento seguro e direcionamento adequado”, traz trecho da nota publicada nas redes sociais.
ESCLARECIMENTOS NA CÂMARA
Diante da apreensão dos moradores, o vereador Kiko do Bedeschi solicitou a presença dos gestores do Hospital em uma reunião ordinária na Câmara Municipal. O requerimento foi aprovado por unanimidade na ordinária do dia 6 de abril em plenário. “Queremos saber o que está acontecendo e até quando vai essa situação. Precisamos de respostas e aguardamos os responsáveis no Poder Legislativo para esclarecimentos. Queremos que o atendimento de qualidade do Hospital continue, mas precisamos entender a real situação do instituto”, afirmou o vereador. A presença dos responsáveis do Hospital deve ser agendada pela Presidência da Câmara, vereador João Guilherme, junto ao Instituto.

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